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Melbourne num dia

9 h de percurso4 paragensMelhor: Qualquer época, mas leva camadas: aqui o tempo muda numa horaAtualizado julho de 2026

EM RESUMO

As vielas de Melbourne, que hoje são o monumento da cidade e saem em todas as fotos, não foram desenhadas para nada disto. São um acidente de urbanismo do século XIX: quando em 1837 se traçou a quadrícula do centro, deixaram-se umas ruas de serviço estreitas por trás das principais (as que ainda se chamam Little Collins, Little Bourke, Little Lonsdale) para meter carroças, tirar o lixo e dar acesso às cocheiras. Eram a parte feia.

Hosier Lane, graffiti right down to the bins
© Bernard Spragg. NZ from Christchurch, New Zealand · CC0 · Wikimedia Commons

Que essas traseiras da cidade tenham acabado por ser a sua cara é uma história dos últimos trinta anos, e é o que faz Melbourne diferente de qualquer outra cidade australiana. Aqui não há uma Ópera nem uma ponte: há um tecido urbano que se pode percorrer inteiro a pé e que premeia quem se mete por onde parece que não se pode. Um dia aqui vai disso, e de café, que é a outra religião local.

O percurso, paragem a paragem

4 PARAGENS
  1. 01

    Os laneways

    ⏱ 3 h

    Hosier Lane leva a fama: uma viela de calçada coberta de arte urbana do chão ao primeiro andar, que muda constantemente porque por cima do pintado se volta a pintar. O que quase ninguém sabe é que ali é legal: a câmara estabeleceu um regime de licenças para essa viela concreta, por isso o que na rua do lado é uma multa, aqui é a actividade prevista. Por isso a camada de tinta tem centímetros.

    As outras valem tanto ou mais. AC/DC Lane chama-se assim por causa da banda, que se formou nesta cidade. Degraves Street e Centre Place são as dos cafés, com mesas metidas em metro e meio de largura. E o Block Arcade e o Royal Arcade são a versão de luxo da mesma invenção: passagens cobertas do século XIX com chão de mosaico e clarabóias de ferro.

    A instrução é simples e funciona: sempre que vires um vão entre dois edifícios, mete-te lá. Melbourne guarda o que é bom onde não se vê do passeio.

  2. 02

    O café, que aqui é uma instituição

    ⏱ 1 h

    Melbourne leva o café como outras cidades levam a ópera, e há um motivo histórico concreto por trás: a imigração italiana e grega do pós-guerra. Nos anos cinquenta chegaram a esta cidade dezenas de milhares de pessoas do sul da Europa, e com elas chegaram as máquinas de espresso e o hábito de o tomar de pé ao balcão. Setenta anos depois, esse hábito é o traço local mais reconhecível.

    O prático: aprende o vocabulário ou não vais pedir bem. Flat white é espresso com leite texturizado e mal espuma, long black é espresso alongado deitando-o sobre a água, nunca ao contrário, short black é espresso simples. Pedir «um café» não significa nada.

    E a melhor maneira de o fazer é a daqui: entrar num sítio minúsculo de uma viela, pedir ao balcão e bebê-lo ali. Este é o país onde a Starbucks entrou em 2000 e fechou quase tudo em 2008, e Melbourne é a razão principal.

  3. 03

    O Royal Exhibition Building

    ⏱ 1-2 h

    Um palácio de exposições de 1880, com cúpula, rodeado de jardins, que parece transplantado da Europa. É o primeiro edifício da Austrália declarado Património da Humanidade, e não por ser bonito: é dos pouquíssimos palácios de exposição universal do século XIX que continuam de pé e em uso no mundo inteiro. A maioria foi demolida quando acabou a feira para que tinham sido feitos.

    E tem um papel político que surpreende: aqui se reuniu o primeiro parlamento federal da Austrália, em 1901, quando o país se fundou como tal.

    Melbourne foi a sede do governo federal durante o primeiro quarto do século XX, até se construir Camberra. Esse dado explica meia cidade: o que vês à volta (os edifícios grandes, as avenidas largas, o dinheiro) é de quando isto era a capital de facto e uma das cidades mais ricas do mundo.

  4. 04

    O eléctrico, e o anel grátis

    ⏱ 2 h

    Melbourne tem a rede de eléctricos mais extensa do mundo, e isso não é um título de folheto: são centenas de quilómetros de via a atravessar a cidade em todas as direcções, a funcionar como o transporte principal e não como uma atracção histórica. Os eléctricos partilham a faixa de rodagem com os carros e por isso conduzir aqui tem regras próprias.

    O que há que saber no primeiro dia: dentro do perímetro do centro, o eléctrico é grátis. Não há que validar nada nem comprar nada. Sobes e pronto. Chama-se zona de eléctrico gratuita e cobre toda a quadrícula e as docas.

    Fora dessa zona já é preciso o cartão local, e aí vai a armadilha: se subires dentro e saíres fora, tens de ter validado. Resolvido isso, a melhor maneira de ver o centro é deixar-se levar: sobes, olhas e sais onde alguma coisa te chame a atenção.

Perguntas frequentes

O que ver em Melbourne num dia?

Os laneways (Hosier Lane, onde pintar é legal por licença municipal, Degraves e Centre Place, as dos cafés, e as passagens do século XIX, Block e Royal Arcade), um café de pé ao balcão, o Royal Exhibition Building de 1880, onde se reuniu o primeiro parlamento do país em 1901, e deixar-se levar pelo eléctrico, que dentro do centro é grátis.

Porque é que os laneways de Melbourne são famosos?

Porque as traseiras da cidade acabaram por ser a sua cara. Eram ruas de serviço estreitas traçadas no século XIX atrás das principais (daí os nomes Little Collins, Little Bourke) para carroças e lixo. Nas últimas décadas encheram-se de cafés, bares e arte urbana. Em Hosier Lane pintar é legal graças a um regime de licenças: por isso a camada de tinta tem centímetros.

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