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Banguecoque num dia

9 h de percurso5 paragensMelhor: Às 8:00 no Grande Palácio. Às 11:00 já não se aguentaAtualizado julho de 2026

EM RESUMO

Banguecoque num dia faz-se em Rattanakosin, a ilha no rio onde está tudo o que é antigo: o Grande Palácio, Wat Pho e, atravessando a água, Wat Arun. Os três tocam-se e veem-se numa manhã. A regra que não se negoceia é a hora: às oito estás à porta e ao meio-dia já acabaste, porque a partir das onze isto é um forno sem sombra.

The yakshas holding up the Wat Arun tower, clad in broken Chinese porcelain: the flowers are bits of plate and teacup
© Shesmax · CC BY-SA 4.0 · Wikimedia Commons

O resto do dia decide-o o rio. O ferry de linha que atravessa para Thonburi custa o que custa um rebuçado e é o que a gente daqui usa para ir trabalhar, o barco turístico faz o mesmo trajeto por dez vezes mais. À noite, Chinatown. E põe calças compridas desde de manhã: no Grande Palácio não é uma sugestão.

O percurso, paragem a paragem

5 PARAGENS
  1. 01

    O Grande Palácio e o Buda de Esmeralda

    ⏱ 2 h

    Os reis do Sião viveram aqui século e meio, e hoje o recinto é o sítio mais sagrado do país. Dentro está o Buda de Esmeralda, que não é de esmeralda mas de jade, mede sessenta e seis centímetros e tem três trajes (verão, chuvas e inverno) que o rei lhe muda em pessoa três vezes por ano. É uma figura pequena no alto de um altar enorme, e ver a gente a rezar-lhe vale mais do que a figura.

    O código de vestuário aplica-se à porta e não há negociação: pernas cobertas até ao tornozelo, ombros tapados, nada de transparências. Alugam sarongues ali mesmo, mas é mais uma fila com quarenta graus.

    Vem vestido de casa. E descalça-te onde vires sapatos amontoados: é o sinal.

  2. 02

    Wat Pho e o Buda reclinado

    ⏱ 1 hA dez minutos a pé a sul do Palácio

    O Buda tem quarenta e seis metros de comprimento e quinze de altura, e está metido numa sala que lhe fica pequena de propósito: não há sítio de onde o ver inteiro, por isso percorre-lo aos bocados. As plantas dos pés são o melhor, três metros de madrepérola com os cento e oito sinais que identificam um Buda, e estão no fim do percurso, quando já te cansaste de olhar para cima.

    Wat Pho é além disso a primeira universidade da Tailândia e a casa-mãe da massagem tailandesa: a escola continua a funcionar dentro do recinto e não é uma montagem para turistas. Se vais dar uma em toda a viagem, dá-a aqui.

    E repara nos guardiões de pedra das portas: são marinheiros chineses de cartola, e chegaram como lastro nos barcos do arroz.

  3. 03

    O ferry de linha para Thonburi

    ⏱ 15 minCais de Tha Tien, atrás de Wat Pho

    Em Tha Tien há dois barcos e parecem o mesmo: um apanham-no os que vão trabalhar e outro os que levam câmara. O primeiro atravessa os quatro minutos que separam as duas margens e sai quando enche, que é sempre. O segundo faz o mesmo trajeto contando-to por megafone.

    Apanha o da gente daqui.

    Não há bilheteira nem cerimónia: paga-se ao subir, atravessa-se de pé e desce-se ao pé de Wat Arun. É o trajeto mais barato e mais bonito da cidade, e dura o que se leva a ligar o telemóvel para a foto.

  4. 04

    Wat Arun, e a armadilha do pôr do sol

    ⏱ 1 h

    Wat Arun veste porcelana chinesa partida: pratos e chávenas que chegaram como lastro nos barcos e que alguém decidiu incrustar na torre em vez de deitar fora. De perto, o que parecia um mosaico abstrato são flores feitas com o fundo de uma chávena. Pode-se subir por umas escadas que são quase uma escada de mão, e de cima vê-se a curva do rio inteira.

    E agora a ironia: chama-se Templo do Amanhecer e a melhor hora para o ver é ao fim do dia, quando o sol lhe bate de frente desde oeste. Mas para isso não é preciso estar dentro, e sim na margem de frente.

    Ou seja: sobe-o agora, e esta tarde voltas a Tha Tien para o olhar de fora.

  5. 05

    Yaowarat, à noite

    ⏱ 2-3 hDe barco até Ratchawong, ou de metro até Wat Mangkon

    Yaowarat é há duzentos anos o bairro chinês de Banguecoque e às seis da tarde muda de ofício: os comércios baixam a persiana e no passeio aparecem as cozinhas. Woks, carvão, marisco no gelo e néons em dois alfabetos. Come-se de pé ou num banco de plástico, aponta-se e pede-se.

    A rua principal é um rio de gente e de motas e o barulho é parte do assunto. Enfia-te pelas vielas laterais, que é onde estão as bancas que levam três gerações.

    E não procures mesa com toalha: aqui o sítio bom é o que tem fila de gente daqui e uma só coisa na carta.

Perguntas frequentes

Pode-se ver Banguecoque num dia?

A Banguecoque velha, sim: o Grande Palácio, Wat Pho e Wat Arun estão na mesma ilha do rio e veem-se numa manhã se começares às oito. O que não cabe num dia são os mercados e os bairros modernos, que são a outra metade da cidade.

O que é preciso vestir para entrar no Grande Palácio?

Pernas cobertas até ao tornozelo e ombros tapados, homens e mulheres. Nada de alças, calções ou transparências. Verificam à porta e não há discussão. Alugam sarongues ali, mas é mais uma fila com quarenta graus.

Qual é a melhor hora para ver Wat Arun?

Ao fim da tarde e da margem de frente, em Tha Tien, apesar de se chamar Templo do Amanhecer: o sol bate-lhe de frente desde oeste. Para subir à torre, vai de manhã, quando a pedra ainda não queima.

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