PT · EUR
My OzuMy Ozu

OZU /ESTADOS UNIDOS /NOVA YORK /GUIA

Comer em Nova Iorque

2 h de percurso5 paragensMelhor: O bagel, cedo. A fatia, às duas da manhãAtualizado julho de 2026

EM RESUMO

Nova Iorque é a melhor cidade do mundo para comer por uma razão estrutural: não tem cozinha própria, tem a de todos os que chegaram. O pastrami é de judeus lituanos, a pizza de napolitanos, o bagel de polacos, o carrinho halal de egípcios e bangladeshianos. Aquilo a que chamamos comida nova-iorquina é o que aconteceu quando essas cozinhas ficaram aqui e se adaptaram.

A pizza slice on its paper tray, a cup beside it
© К.Артём.1 · CC BY-SA 4.0 · Wikimedia Commons

Dois avisos antes de mais. Um: o preço da ementa não é o que pagas. Junta-se o imposto ao cobrar, e por cima vai a gorjeta, que num restaurante com empregado é de 18-20% e na prática não é opcional. Conta com 30% mais do que lês. Dois: não é preciso reservar em sítios caros para comer bem aqui. Boa parte do melhor custa pouco e come-se de pé.

O percurso, paragem a paragem

5 PARAGENS
  1. 01

    A fatia

    A pizza nova-iorquina sai fina, larga e flexível, e vende-se à fatia desde manhã cedo até altas horas. Pede-se «a slice», aquecem-na e dão-ta num prato de papel. E dobra-se ao meio ao comprido: não é uma excentricidade, é engenharia, porque uma fatia deste tamanho sem dobrar cai-te em cima.

    É a comida mais democrática da cidade: custa o mesmo num sítio de Wall Street que no Bronx.

    A regra para escolher o sítio é simples e funciona: se há rotação, se saem pizzas do forno sem parar, está boa, porque nunca esteve muito tempo ali.

  2. 02

    O bagel, e como pedi-lo

    O bagel a sério coze-se antes de ir ao forno, e daí lhe vem a côdea brilhante e aquele miolo denso e elástico que não se parece com pão normal. Trouxeram-no os judeus da Polónia e aqui ficou. O que compras num supermercado europeu com o mesmo nome é outra coisa. Como se pede: escolhes o bagel (plain, sesame, everything) e o recheio. O clássico é o lox: salmão curado, cream cheese, alcaparras, cebola roxa e tomate. E um aviso de principiante: não o peças tostado se for do dia, porque é um insulto e além disso está melhor sem tostar. Tostar é o que se faz com o bagel de ontem.

  3. 03

    O pastrami

    Peito de vaca curado em salmoura, temperado, fumado e cozido a vapor durante horas, cortado à mão e empilhado entre duas fatias de pão de centeio com mostarda. Nada mais. É o prato mais nova-iorquino que existe e trouxeram-no os judeus da Europa de Leste no final do século XIX.

    O Katz's, no Lower East Side, está aberto desde 1888 e funciona com um sistema que confunde toda a gente: à entrada dão-te um talão, levas ao balcão, o cortador vai-te dando pedaços de prova enquanto corta, convém dar-lhe gorjeta a ele, e apontam no teu talão.

    Não percas o talão. Sai caro para uma sanduíche e dá para duas pessoas.

  4. 04

    O carrinho halal

    A comida da Nova Iorque que trabalha: carrinhos prateados nas esquinas que servem frango ou borrego com arroz amarelo, salada e pão pita, por muito pouco dinheiro e em quantidades absurdas. São levados sobretudo por egípcios e bangladeshianos, e começaram a dar de comer a taxistas muçulmanos que precisavam de comida halal. Vão-te perguntar pelos molhos: o branco é de iogurte e alho e vai sempre, o vermelho pica a sério, por isso pede pouco da primeira vez. Jantar num carrinho às onze da noite pelo que custa um café em Manhattan é uma das melhores coisas desta cidade.

  5. 05

    Onde se come a sério: Queens

    ⏱ 4 hMetro 7 até Jackson Heights ou Flushing

    Se levas a comida a sério, o melhor dia da tua viagem é no Queens e não em Manhattan. Jackson Heights, na linha 7, tem em poucos quarteirões comida colombiana, tibetana, indiana, mexicana, nepalesa e equatoriana, feita por comunidades inteiras para si mesmas, não para turistas.

    E Flushing, ao fim da mesma linha, tem a maior Chinatown da cidade, maior do que a de Manhattan, com food courts em caves onde várias regiões da China competem no mesmo corredor. Não há ementa em inglês nalguns sítios e tanto faz: aponta-se.

    É o melhor dinheiro que vais gastar em comida nesta cidade, e não será muito.

Perguntas frequentes

Quanta gorjeta se deixa em Nova Iorque?

Num restaurante com empregado, entre 18 e 20%, e na prática não é opcional: os salários do pessoal contam com ela. Além disso, o imposto junta-se ao cobrar e não está na ementa, por isso conta pagar cerca de 30% mais do que lês.

Porque se dobra a pizza em Nova Iorque?

Porque a fatia é grande, fina e flexível, e sem a dobrar ao meio dobra-se sozinha e cai-te em cima. Não é um costume pitoresco: é a única forma de a comer a andar, que é como se come.

Onde se come melhor em Nova Iorque?

No Queens, e não é uma boutade: Jackson Heights e Flushing, na linha 7, concentram as cozinhas de dezenas de comunidades feitas por e para elas, a preço de bairro. Flushing tem uma Chinatown maior do que a de Manhattan.

Mais em Nova York

OZU+1 sala VIP + 1 eSIM de 10 GB todos os meses, e preços de membro em tudo29,99 € por mêsConhece o Ozu+ →