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Onde comer em Atenas

3 h de percurso4 paragensMelhor: Almoçar às três, jantar às dez. Antes não vais encontrar ninguémAtualizado julho de 2026

EM RESUMO

O café frappé inventou-se em 1957 numa feira de amostras, e por acidente. Um representante de uma marca de café instantâneo queria tomar um na sua pausa, não encontrou água quente em lado nenhum, e acabou por deitar o café em água fria com gelo dentro de uma coqueteleira de brincar que havia no stand ao lado. Fez espuma. Setenta anos depois, essa invenção de emergência é a bebida nacional da Grécia.

Inside the central market of Athens, its iron hall
© Stathis floros · CC BY-SA 4.0 · Wikimedia Commons

Essa história diz bastante de como se come e se bebe aqui: sem solenidade e com uma capacidade enorme para ficar com o que funciona. A cozinha grega de Atenas é de mesa partilhada, pratos ao centro, legumes bons, azeite aos jorros e queijo em quase tudo. E tem uma regra de horário que não se negoceia: almoça-se tarde e janta-se tardíssimo. Discutir com isso é a forma mais rápida de comer mal nesta cidade.

O percurso, paragem a paragem

4 PARAGENS
  1. 01

    O café, e as suas regras

    ⏱ 1 h

    O frappé nasceu em 1957 por falta de água quente e hoje tem um descendente que o destronou: o freddo. Freddo espresso é espresso batido com gelo, e freddo cappuccino é o mesmo com uma espuma de leite frio por cima. Pedem-se com o nível de açúcar dito de antemão: sem açúcar, médio ou doce. Aprende essas três palavras e vais pedir bem.

    Mas o importante não é a bebida, é o uso. Na Grécia o café não é um trâmite de três minutos: é uma unidade de tempo social. As pessoas sentam-se numa esplanada com um freddo e ali ficam duas horas a falar, e isso é uma actividade completa, não a antecâmara de outra coisa. Ninguém te vai meter pressa nem pôr a conta à frente.

    Se quiseres ver como funciona esta cidade, senta-te numa praça qualquer às seis da tarde e não faças nada durante duas horas. Isso é Atenas.

  2. 02

    Souvlaki e gyros: não são o mesmo

    ⏱ 1 h

    A comida rápida de Atenas envolve carne em pão pita com tomate, cebola, molho de iogurte e, isto desnorteia os estrangeiros, batatas fritas lá dentro. E há duas coisas diferentes que as pessoas confundem: o souvlaki é carne em espeto, feita na brasa, o gyros é carne cortada de um espeto vertical giratório, como o döner. Pedem-se de forma diferente e sabem diferente.

    A complicação é que em Atenas se chama souvlaki ao conjunto todo, ainda que leve gyros dentro, por isso há que aprender a pedir. A fórmula útil: pede gyros ou souvlaki, e depois «em pita» se o quiseres embrulhado para levar, ou «no prato» se quiseres a carne servida com acompanhamento.

    E o conselho de fundo: os melhores sítios são locais estreitos, com fila de gente local, sem mesas ou com quatro, onde só fazem isto. Os sítios grandes com ementa em seis línguas da zona de Monastiraki, não.

  3. 03

    A taberna, e como funciona

    ⏱ 2-3 h

    A taberna grega tem uma lógica que há que perceber ou come-se mal. Não se pede uma entrada e um prato por pessoa: pedem-se pratos ao centro para partilhar, e vai-se comendo todos de tudo. Legumes, saladas, queijos, algum peixe, alguma carne, e pão para molhar. Isso chama-se meze e é a maneira correcta.

    Um par de coisas concretas. Uma: a salada grega a sério não leva alface, leva tomate, pepino, cebola, azeitona, orégãos e um bloco de feta por cima, com azeite. Se levar alface, é para turistas. Duas: pede os legumes. É a melhor secção da cozinha grega e a que o estrangeiro menos pede, indo a direito à carne: feijões guisados, beringela, folhas silvestres cozidas com limão.

    E três: o azeite é um ingrediente, não um tempero. Aqui deita-se em quantidades que noutros sítios assustam.

  4. 04

    O mercado central

    ⏱ 1-2 h

    O mercado central de Atenas, em plena rua Athinas, é uma nave do século XIX de talhos e peixarias, barulhenta, cheirosa e sem concessão nenhuma ao turista. É aí que a cidade compra. À volta estão as bancas de fruta, as lojas de especiarias e as de frutos secos e leguminosas a granel, que são um espectáculo à parte.

    A coisa que há que saber é a do horário, porque é maravilhosamente estranha: dentro do mercado há refeitórios que abrem de madrugada e servem patsás, sopa de tripas, às cinco da manhã.

    Começou por ser a comida de quem ali trabalha, e com o tempo tornou-se a paragem obrigatória de quem sai da festa às quatro.

    Talhantes e gente de discoteca a partilhar mesa com um prato de sopa. Não há melhor sítio em Atenas para ver a cidade sem pose nenhuma.

Perguntas frequentes

O que se come em Atenas?

Em taberna, com tudo ao centro para partilhar: legumes, a melhor secção da cozinha grega e a que o estrangeiro menos pede, queijos, salada grega a sério (sem alface: tomate, pepino, cebola, azeitona e um bloco de feta), peixe e carne. E para o passo rápido, souvlaki ou gyros em pita. Almoça-se às três e janta-se às dez.

Qual é a diferença entre souvlaki e gyros?

O souvlaki é carne em espeto feita na brasa, o gyros é carne cortada de um espeto vertical giratório, como o döner. Em Atenas chama-se souvlaki ao conjunto envolvido em pita mesmo que leve gyros dentro, por isso pede o que quiseres e acrescenta «em pita» para levar ou «no prato» com acompanhamento. E sim, as batatas fritas vão dentro do pão.

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