Os bairros de Atenas
5 h de percurso4 paragensMelhor: Ao entardecer, quando o calor afrouxa e a cidade sai à ruaAtualizado julho de 2026
Por baixo da Acrópole, colado à rocha, há uma aldeia das Cíclades a sério: casas brancas caiadas, portas azuis, escadas estreitas, buganvílias e gatos. Não é uma recriação nem um cenário. Levantaram-na no século XIX uns pedreiros trazidos da ilha de Anafi para construir o palácio do rei, que ao instalarem-se aqui fizeram a única coisa que sabiam fazer: casas como as da sua ilha.

Esse recanto, que se chama Anafiotika, é a melhor introdução aos bairros de Atenas, porque ensina do que se trata: esta cidade fez-se por aluvião, aos bocados, com gente que vinha de outro sítio. Das ilhas, da Ásia Menor, do campo. E cada vaga deixou um bairro. Atenas não tem um centro histórico bonito com anéis à volta: tem remendos, e os bons quase nunca são os que saem nos guias.
O percurso, paragem a paragem
4 PARAGENS- 01
Anafiotika
Sobe por Plaka em direcção à rocha até que as ruas se convertem em escadas e depois em corredores de um metro. Aí está Anafiotika: trinta ou quarenta casas brancas de estilo cicládico agarradas à encosta da Acrópole, com vasos, gatos e roupa estendida. Vive lá gente. Não há lojas, não há restaurantes e não há nada para fazer a não ser andar devagar.
Construíram-na no século XIX pedreiros da ilha de Anafi, trazidos para a nova capital para levantar o palácio real. Instalaram-se na encosta e fizeram as suas casas como as de casa. E conta-se (isto já é tradição oral, não documento) que havia uma norma segundo a qual, se conseguisses levantar uma casa com telhado entre o anoitecer e o amanhecer, não ta podiam demolir. Verdade ou não, o bairro existe e continua de pé.
Vai ao entardecer e não faças barulho: é um sítio onde vive gente, não um museu.
- 02
Exarchia
O bairro com mais carga política da Grécia, a um passo do museu arqueológico. É uma quadrícula de ruas com arte urbana em cada parede, livrarias, bares baratos, praças ocupadas por gente nova e uma história que aqui está viva, não num livro.
A 17 de novembro de 1973, os estudantes da Escola Politécnica, que fica aqui, fecharam-se contra a ditadura militar e montaram uma emissora de rádio clandestina. De madrugada, um tanque derrubou o portão. Morreu gente, e o episódio foi decisivo na queda da Junta no ano seguinte. Em cada aniversário há manifestação, e o portão conserva-se.
O bairro há décadas que é o centro do movimento anarquista e de esquerda do país, com tudo o que isso implica: pinturas, ocupações, tensão com a polícia e uma gentrificação recente que aqui se discute aos gritos. Passeia-se perfeitamente e come-se muito bem e barato. Vai com a cabeça no sítio e sem tirar fotos às pessoas.
- 03
Psyrri e Kerameikos
A dez minutos de Monastiraki, Psyrri encheu-se durante décadas de oficinas e armazéns: naves pequenas, ferragens, coiro, gente a trabalhar. Continua a ter esse ar, e essa é metade da sua graça. É feio de fachada, está cheio de arte urbana e concentra os melhores sítios para jantar e beber do centro de Atenas.
Ao lado está Kerameikos, que dá nome ao bairro e que é o cemitério da Atenas antiga: um parque sossegado de túmulos, estelas e o traçado da muralha, quase vazio de gente.
A combinação das duas coisas (um cemitério de há dois mil e quinhentos anos e a zona de copos de hoje, parede com parede) é puro Atenas.
E para aquele lado está Gazi, a antiga fábrica de gás convertida em centro cultural, com as chaminés iluminadas. É aqui que sai a cidade, não em Plaka.
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Koukaki e as encostas
A sul da Acrópole, do lado que quase ninguém contorna, está Koukaki: um bairro residencial normal de prédios, com padarias, tabernas de bairro, escolas e vizinhos. Não tem um único monumento. E é onde fica quem já conhece Atenas.
O motivo é geográfico: está colado à rocha pelo lado sul, por isso vais a pé à Acrópole e ao seu museu em dez minutos, mas dormes numa rua onde ninguém te vai pôr uma ementa plastificada à frente. Os preços são de bairro.
E o remate é o passeio pedonal de Dionisiou Areopagitou, que ladeia a encosta sul da Acrópole entre árvores, com o Pártenon por cima da tua cabeça: é das ruas mais bonitas da Europa e vai de Koukaki a Plaka. Sobe também à colina de Filopapo, ali ao lado, que tem a vista frontal da Acrópole e é grátis.
Perguntas frequentes
Onde ficar em Atenas?
Koukaki, a sul da Acrópole: é um bairro residencial normal, sem ementas turísticas, com preços de bairro, e vais a pé à rocha em dez minutos. Psyrri se quiseres a noite e os bons restaurantes ao lado. Plaka é bonito mas é a zona mais pisada e come-se mal e caro nas ruas principais. E Monastiraki está bem servido mas é barulhento.
O que é Anafiotika?
Uma aldeia cicládica a sério agarrada à encosta da Acrópole: trinta ou quarenta casas brancas com portas azuis, escadas e gatos, dentro de Plaka. Construíram-na no século XIX pedreiros trazidos da ilha de Anafi para levantar o palácio real, que fizeram as suas casas como as da sua ilha. Vive lá gente: passeia-se devagar e sem barulho.