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O que ver em Santorini

6 h de percurso4 paragensMelhor: O de dentro ao meio-dia. O de fora à primeira ou à última horaAtualizado julho de 2026

EM RESUMO

Em Akrotiri não se encontrou um único cadáver. Nem ouro, nem jóias, nem objectos de valor. É uma cidade inteira da Idade do Bronze enterrada por uma erupção vulcânica, e não há mortos. Essa ausência é o dado mais impressionante desta ilha e o que a separa de Pompeia: aqui a gente viu vir o que vinha, recolheu as suas coisas e foi-se embora.

An excavated house at the Akrotiri site
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Esse é o nível do que há para ver em Santorini, e vale a pena dizê-lo porque a ilha tem fama de ser só um postal. É-o, e dos bons, mas por baixo das casas brancas há um sítio arqueológico de primeira ordem, uma vinha que não se parece com nenhuma, uma cidade antiga no alto de um monte e um vulcão activo que se pode pisar. A vista é a primeira coisa que se vê. Não devia ser a única.

O percurso, paragem a paragem

4 PARAGENS
  1. 01

    Akrotiri

    ⏱ 2 h

    Uma cidade da Idade do Bronze, de cerca de 1600 antes de Cristo, enterrada sob metros de cinza pela erupção e conservada por ela. Anda-se pelas suas ruas, entre casas de dois e três andares que ainda estão de pé, com as janelas, as escadas e os potes de armazenamento onde os deixaram. Tinham esgotos, latrinas ligadas e condutas separadas de água quente e fria, a aproveitar o calor do vulcão. Três mil e seiscentos anos.

    E não há mortos. Nem um. Nem objectos de valor. A leitura que fazem os arqueólogos é que houve sismos prévios, a gente percebeu o aviso e evacuou a cidade ordenadamente, levando o que importava. O que vês é uma casa a que alguém fechou a porta.

    Um dado prático que vais agradecer: todo o sítio está debaixo de uma cobertura moderna, à sombra e com corrente de ar. É a visita ideal para as horas em que lá fora não se pode estar. Os frescos, isso sim, estão quase todos em Atenas.

  2. 02

    A Tera antiga

    ⏱ 2 hNo alto do monte que separa Kamari de Perissa

    No alto do monte que separa as praias de Kamari e Perissa, a trezentos e tal metros, há uma cidade grega inteira: ruas, casas, teatro, ágora, templos e um ginásio, pendurados numa crista rochosa com o mar dos dois lados. Fundaram-na os espartanos e esteve habitada desde o século IX antes de Cristo até à época bizantina.

    O melhor não é a cidade: é que não há ninguém. Enquanto a borda da caldeira rebenta de gente, aqui podes estar sozinho entre ruínas com uma das vistas mais brutais do Egeu. O motivo é que há que subir, e a estrada é de curvas apertadas.

    Pode ir-se de carro até perto e depois andar, ou subir a pé desde Kamari por um trilho, que é uma hora larga a subir e só faz sentido à primeira hora. Nada disto se pode fazer ao meio-dia em agosto: é rocha nua ao sol.

  3. 03

    As cepas retorcidas

    ⏱ 2-3 h

    Atravessa a ilha por dentro e verás campos que não parecem vinhas: não há latadas, não há arames, não há filas. Há uns ninhos de sarmentos trançados sobre a terra preta, como cestos de vime postos ao contrário. Dentro de cada ninho, protegidas, estão as uvas.

    Chama-se kouloura e é uma técnica que não existe em mais lado nenhum, porque responde a um problema que mais nenhum sítio tem: aqui sopra um vento constante que queima e não chove praticamente nunca. Ao trançar a videira no chão, a uva fica ao abrigo do vento e recolhe a humidade que condensa à noite, que é de onde tira a água.

    E há um segundo dado que remata o assunto: a filoxera, que no século XIX arrasou todas as vinhas da Europa e obrigou a enxertá-las, não consegue sobreviver na cinza vulcânica. Por isso estas cepas nunca foram enxertadas. São de pé franco e algumas estão ali há séculos. É das vinhas mais singulares do planeta e fica a dez minutos de uma piscina infinita.

  4. 04

    Os burros da falésia

    Entre Firá e o porto velho, aos pés da falésia, há quinhentos e oitenta e oito degraus e três maneiras de os vencer: a pé, de teleférico ou ao lombo de um burro. Durante séculos os burros foram o único transporte desta ilha, e subir e descer mercadorias por essa escadaria era o seu trabalho. É uma tradição a sério, não uma invenção para turistas.

    Dito isso, há que falar do assunto com honestidade, porque não é um pormenor menor: as condições desses animais há anos que são objecto de denúncias e campanhas, e houve regulamentação (limites de peso, horários, obrigação de sombra e água) precisamente porque fazia falta. Um burro a subir quinhentos degraus ao sol com uma pessoa de cem quilos em cima, uma vez atrás da outra, não está a fazer folclore.

    Há teleférico, e há escadas. A decisão é tua, mas toma-a a saber o que é e não como quem se sobe a uma atracção.

Perguntas frequentes

O que é Akrotiri e vale a pena?

Uma cidade da Idade do Bronze, de cerca de 1600 a.C., enterrada pela erupção e conservada pela cinza: casas de dois e três andares de pé, esgotos e água corrente quente e fria. E o que a separa de Pompeia: não há um cadáver nem um objecto de valor, porque a gente evacuou a tempo. Está debaixo de tecto e fresco, por isso é a visita perfeita para o meio-dia.

Porque é que as vinhas de Santorini são tão estranhas?

Por dois motivos, ambos do vulcão. Trançam-se no chão a formar cestos, chama-se kouloura, com as uvas dentro, para as proteger do vento constante e recolher o orvalho da noite, porque aqui não chove. E nunca foram enxertadas: a filoxera, que arrasou a Europa no século XIX, não sobrevive na cinza vulcânica, por isso são cepas de pé franco e algumas têm séculos.

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