Comer em Jacarta
3 h de percurso4 paragensMelhor: À noite: os carrinhos saem quando baixa o calorAtualizado julho de 2026
Aqui está o melhor argumento para parar em Jacarta. A Indonésia tem mais de dezassete mil ilhas e umas trezentas etnias, cada uma com a sua cozinha, e todas mandaram gente para a capital. O resultado: em Jacarta come-se a comida de todo o arquipélago, feita por gente de lá, e a preços de riso.

A comida está na rua e nos warung, não nos restaurantes dos centros comerciais. Os carrinhos (os kaki lima, «cinco patas», pelas duas rodas, o pé do carro e as duas pernas do vendedor) saem ao cair da tarde e cada um faz uma coisa. E há um prato que só existe em Jacarta e que há que procurar.
O percurso, paragem a paragem
4 PARAGENS- 01
Kerak telor
O prato que só se come aqui, e é dos betawi, o povo original de Jacarta: uma omeleta de arroz glutinoso com ovo de pato, coco tostado, cebola frita e camarões secos, cozinhada num wok pequeno sobre carvão.
O espetacular é como se faz: quando está a meio, o vendedor vira o wok inteiro e põe-no de boca para baixo diretamente sobre as brasas, por isso a omeleta cozinha por cima com o fogo por baixo. Sai com a superfície tostada e estaladiça.
Encontra-se nos mercados e nas feiras, sobretudo na Feira de Jacarta, e em Kota Tua costuma haver algum. Procura-o: é um prato de cidade, não de país.
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O nasi goreng a sério
O arroz frito indonésio faz de prato nacional e toda a gente julga conhecê-lo, porque o comeu no bufê de um hotel. Não é a mesma coisa. O a sério fá-lo um senhor num carrinho, à noite, num wok em fogo vivo, com kecap manis (o molho de soja doce indonésio, que é a chave), alho, chalota, malagueta e o que leve, e sai com um ovo estrelado por cima e umas bolachas de camarão.
A diferença é o wok hei, o «sopro do wok»: aquele ponto fumado que só dá um fogo muito forte e uma frigideira muito quente, e que um bufê não consegue replicar.
Pede-se na rua, come-se sentado num banco de plástico e custa um euro. É dessas coisas que reordenam o que julgavas saber de um prato.
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Gado-gado e o sate
A salada indonésia chama-se gado-gado, «mexe mexe»: legumes cozidos, batata, ovo cozido, tempeh, tofu e lontong (bolo de arroz), tudo banhado num molho espesso de amendoim com lima e malagueta pisado na hora num almofariz de pedra. Vegetariano de origem, substancial e ótimo.
E o sate: espetos pequenos na brasa, de frango ou cabra, com molho de amendoim ou kecap manis. O sate ayam de um carrinho, com o fumo a sair, é a imagem e o cheiro de Jacarta à noite.
Um truque de local: pede o sate num sítio onde haja fila, porque significa que a carne não está ali desde a tarde.
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O martabak da meia-noite
A sobremesa de rua da Indonésia e uma das coisas mais excessivas que existem: o martabak manis é uma torta grossa e fofa, feita numa frigideira funda, que se abre ao meio e se recheia de manteiga, leite condensado, amendoim moído, chocolate ralado e queijo. Sim, queijo. Com chocolate. E funciona.
Vende-se à noite em carrinhos com um balcão de vidro, e compra-se inteira, cortada em quadrados, para levar. Há também o martabak telur, a versão salgada, recheada de ovo, carne picada e cebolinho, que é uma espécie de crepe frito.
Os dois são comida das onze da noite e nenhum é defensável nutricionalmente. Compra-o na mesma.
Perguntas frequentes
O que se come em Jacarta?
O kerak telor, a omeleta betawi de arroz glutinoso e ovo de pato que só existe aqui e se faz com o wok de boca para baixo sobre as brasas. E o melhor street food da Indonésia: nasi goreng de carrinho, sate, gado-gado e martabak. Como na capital conflui a comida das dezassete mil ilhas, aqui come-se o arquipélago inteiro.
É seguro comer na rua em Jacarta?
Sim, com a regra de sempre: escolhe bancas com fila e com rotação, onde a comida se faz na hora à tua frente e não está posta há horas. O carrinho muito concorrido é mais seguro do que o bufê morno. E bebe água engarrafada.
O que é o martabak?
A sobremesa de rua indonésia: uma torta grossa e fofa recheada de manteiga, leite condensado, amendoim, chocolate ralado e queijo, vendida à noite nos carrinhos e comprada inteira e cortada. Há também uma versão salgada, o martabak telur, com ovo e carne picada.