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Onde comer em Podgorica

3 h de percurso4 paragensMelhor: Janta-se tarde e devagar. Às dez ainda está gente a entrarAtualizado julho de 2026

EM RESUMO

O vinho daqui guarda-se num hangar de aviões militares, e não é uma metáfora: a adega de Šipčanik, nos arredores, é um túnel escavado para esconder caças da força aérea jugoslava, inutilizado em 1999 e reconvertido em adega porque debaixo da terra a temperatura não se mexe o ano inteiro. É lá dentro que envelhece o vranac, a uva tinta deste país.

Onde comer em Podgorica, Podgorica
© ines lukic · CC BY 3.0 · Wikimedia Commons

A comida montenegrina explica-se pela geografia, que é uma maneira elegante de dizer que este país é muito pequeno e muito variado: em duas horas de carro passas do Adriático a montanhas de dois mil metros, e a cozinha da capital recolhe as duas. Do lado do monte chegam o presunto fumado, o queijo e o creme coalhado, do lago, a carpa e a enguia, da planície em redor, o vinho. Podgorica não tem cozinha própria: tem a do país inteiro a meia hora.

O percurso, paragem a paragem

4 PARAGENS
  1. 01

    O vranac, e o hangar onde dorme

    ⏱ 2-3 h

    O vranac, uva tinta autóctone, aparece na tua mesa em todo o país, peças-lo ou não. É escuro, encorpado e bastante tânico, e se no Montenegro pedires «vinho tinto» sem mais, é isto que chega. Vale a pena saber o nome nem que seja para o pedir bem.

    O que o torna visitável é onde se guarda. Šipčanik é um túnel de betão escavado como hangar subterrâneo para os aviões militares jugoslavos. Ficou destroçado nos bombardeamentos de 1999 e em vez de o selarem encheram-no de barricas de carvalho, porque debaixo da terra a temperatura é constante todo o ano.

    Por cima está a vinha do Ćemovsko polje, uma das extensões de vinha contínua maiores da Europa, plantada numa planície pedregosa às portas da capital. Beber tinto dentro de um bunker é a excursão mais estranha e mais bonita que esta cidade tem.

  2. 02

    O pršut de Njeguši

    ⏱ 1 h

    O presunto curado deste país tem uma aldeia com nome e apelido: Njeguši, na encosta do Lovćen, a caminho de Cetinje para Kotor. Não é marketing rural. A aldeia está num colo por onde o ar salgado do Adriático sobe e se cruza com o ar seco da montanha, e é essa corrente concreta que seca o presunto. Por isso se faz ali e não no vale.

    Fuma-se com madeira de faia e cura-se, e come-se em fatias finas com queijo de Njeguši e às vezes com kajmak, um creme coalhado e salgado que se barra no pão e que agarra toda a gente. Em Podgorica tem-lo em qualquer restaurante decente como entrada, e esse prato de enchidos e queijo é o aperitivo nacional.

    Se fores a Kotor por Cetinje passas pela aldeia: parar é obrigatório e custa vinte minutos.

  3. 03

    A carpa do lago

    ⏱ 2 hMeia hora a sul, em Virpazar ou na margem do Skadar

    Aqui convém desfazer uma expectativa: o Montenegro tem costa, mas Podgorica não, e o peixe da capital não vem do Adriático mas do lago. A carpa e a enguia do Skadar são um prato com séculos por trás, das aldeias de pescadores da margem, e não se parecem nada com o peixe de mar: são mais gordos, mais fortes, e preparam-se guisados, em sopa ou fumados.

    A forma boa de o comer não é no centro de Podgorica mas indo ao lago: em Virpazar e nas aldeias da margem há casas de pasto que trabalham o que se pesca ali mesmo.

    E há uma volta que quase ninguém espera: a carpa fumada com vranac é uma combinação local clássica, peixe com tinto, que soa mal e funciona. Se fores ao Skadar ver pelicanos, come lá. É a mesma excursão.

  4. 04

    Jantar tarde, e a dose

    ⏱ 2 h

    Dois avisos práticos que valem mais do que uma lista de restaurantes. O primeiro é a hora: aqui janta-se tarde e devagar, e às dez da noite ainda há gente a entrar. Se apareceres às sete vais jantar sozinho, e no verão com razão, porque enquanto o sol não se põe não se pode estar na rua.

    O segundo é o tamanho. As doses montenegrinas são notoriamente grandes, sobretudo as de carne na brasa, e um prato principal dá de comer a duas pessoas sem exagero. Pedir um por cabeça mais entradas é um erro de principiante que se paga com comida no prato. O sensato: um prato de pršut e queijo para partilhar, um principal a cada dois, e vranac.

    E o ritual que não falha é a kafa, o café turco, que se bebe devagar e sem pressa de levantar: aqui ocupar uma mesa duas horas com um café é um costume, não uma grosseria.

Perguntas frequentes

O que se come em Podgorica?

O do país inteiro, porque está tudo a meia hora: pršut fumado e queijo de Njeguši, kajmak (creme coalhado salgado), carne na brasa em doses enormes, carpa e enguia do lago Skadar (não peixe de mar, a capital não tem costa) e vranac, a uva tinta local. Um prato principal dá para duas pessoas: não peças um por cabeça.

Pode visitar-se uma adega perto de Podgorica?

Sim, e é a coisa mais estranha que a cidade tem: Šipčanik, nos arredores, é um túnel escavado como hangar subterrâneo para aviões militares jugoslavos, destroçado nos bombardeamentos de 1999 e reconvertido em adega porque debaixo da terra a temperatura é constante todo o ano. À volta está a vinha do Ćemovsko polje, das maiores de uma só peça na Europa.

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