Lisboa num dia
9 h de percurso5 paragensMelhor: De março a junho e de setembro a outubroAtualizado julho de 2026
Lisboa cabe num dia se aceitares duas coisas: que vais subir e descer ladeiras o tempo todo, e que Belém, com os mosteiros e as torres do rio, fica para outra altura, porque está a seis quilómetros e come meio dia só por si. O que entra é o coração: o rio, a Baixa reconstruída em quadrícula e a Alfama medieval a trepar para o castelo.

O truque é começar em baixo, à beira da água, e deixar que a manhã te vá subindo. A descida, ao fim do dia, fá-la a gravidade por ti.
O percurso, paragem a paragem
5 PARAGENS- 01
A Praça do Comércio e a Baixa
Aqui estava o Paço da Ribeira, o palácio dos reis, até o terramoto e o maremoto de 1755 o atirarem à água.
No seu lugar, o marquês de Pombal levantou uma praça com arcadas aberta ao Tejo por três lados, com a estátua equestre do rei D. José I no meio e um arco triunfal ao fundo que dá entrada à Rua Augusta.
Dali arranca a Baixa, o bairro que Pombal reconstruiu de raiz sobre uma quadrícula de ruas direitas, quando o resto da Europa ainda fazia cidades à base de beco. É plana, a única coisa plana de Lisboa, e atravessa-se em dez minutos até ao Rossio.
- 02
O Chiado e o Elevador de Santa Justa
O Elevador de Santa Justa ergue-se em ferro forjado desde 1902, metido entre prédios, com duas cabinas de madeira que vencem o desnível entre a Baixa e o Chiado. Atribuem-no muitas vezes a um discípulo de Eiffel. Na verdade foi projetado pelo engenheiro português Raoul Mesnier du Ponsard, e a parecença com as torres de Eiffel é de época, não de escola.
Em cima, coladas ao miradouro, estão as ruínas do Convento do Carmo: uma igreja gótica que perdeu o telhado em 1755 e se deixou assim, a céu aberto, como lembrança.
As colunas e os arcos continuam de pé sobre o nada, e é dos sítios mais estranhos e mais bonitos da cidade.
- 03
A Alfama e a Sé
Da Lisboa anterior ao terramoto ficou a Alfama: um labirinto de becos, escadinhas e pátios que se salvou por estar sobre rocha firme. O nome vem do árabe al-hamma, «as fontes», e o traçado continua a ser o da medina muçulmana, impossível de seguir com um mapa.
À entrada do bairro está a Sé, começada em 1147 sobre a antiga mesquita logo depois de os cruzados tomarem a cidade.
É baixa, maciça e com duas torres ameadas: construiu-se tanto para rezar como para aguentar um cerco.
- 04
O Castelo de São Jorge e um miradouro
O castelo ocupa o ponto mais alto da Alfama, onde houve fortaleza moura e antes romana. Lá dentro pagam-se a entrada e as muralhas por onde se passeia, com a cidade inteira e o rio aos pés, os pavões à solta são a surpresa que ninguém espera. Se não quiseres entrar, os miradouros à volta (Portas do Sol, Santa Luzia) dão quase a mesma vista sem pagar, com um café ao lado. A fotografia dos telhados vermelhos a descer para o Tejo é dali.
- 05
O elétrico 28, à volta
A carreira 28 usa os elétricos Remodelado dos anos trinta, de madeira, porque são os únicos suficientemente curtos e ágeis para as curvas e as ladeiras da Alfama e do Chiado. Não é uma atração montada para o turista: é transporte a sério que calha passar por tudo o que é bonito.
Vai tão cheio que se tornou o melhor couto dos carteiristas de Lisboa, por isso a mochila à frente.
E se houver fila grande no arranque do Martim Moniz, às vezes sai mais em conta apanhá-lo numa paragem intermédia.
Perguntas frequentes
Pode ver-se Lisboa num dia?
O centro sim: a Baixa, o Chiado, a Alfama e o castelo fazem-se a pé num dia, contando com as ladeiras. O que não entra no mesmo dia é Belém, que fica a seis quilómetros e pede meio dia próprio. Se só tens um dia, escolhe entre o centro e Belém.
Vale a pena o Elevador de Santa Justa?
Pela vista sim, mas a fila para subir na cabina costuma ser longa e cara. Ao miradouro de cima chega-se de graça e sem fila a pé desde o Chiado, pelo Largo do Carmo, e de caminho veem-se as ruínas do convento. A cabina, em si, é um elevador de 1902 bonito mas curto.