PT · EUR
My OzuMy Ozu

OZU /TAILÂNDIA /PHUKET /GUIA

Onde comer em Phuket

6 paragensAtualizado julho de 2026

EM RESUMO

A comida desta ilha não é a comida tailandesa que conheces. Os mineiros que chegaram do sul da China trouxeram a sua cozinha, casaram-se aqui e dessa mistura, chamam-lhe baba ou peranakan, saíram pratos que em Banguecoque não se fazem: o moo hong, o mee hokkien, o o-tao. A Unesco nomeou Phuket Cidade da Gastronomia em 2015 por isto, não pelas praias.

Food stalls at a night market in Phuket
© Sharon Hahn Darlin · CC BY 2.0 · Wikimedia Commons

A geografia é simples e vai contra a intuição: come-se bem no centro histórico e nas aldeias de pescadores do sul, e come-se caro e assim-assim no passeio marítimo. Quanto mais perto da areia, pior a relação. E há uma segunda despensa que se esquece: quase um terço da ilha é muçulmana, e daí vêm o roti e o massaman.

O percurso, paragem a paragem

6 PARAGENS
  1. 01

    Moo hong, o prato de casa

    Barriga de porco estufada demoradamente com molho de soja, alho, pimenta preta e açúcar de palma até se desfazer. É hokkien de origem e em Phuket é o que se come em casa: o prato que aparece em qualquer refeição de família e que não vais ver anunciado em nenhum cartaz da praia.

    A pimenta é o que o separa de qualquer porco estufado que tenhas comido: aqui não pica de malagueta, pica de pimenta, uma herança chinesa anterior à chegada da malagueta à Ásia. Come-se com arroz branco e ponto.

    Procura-o no centro histórico, nos sítios com carta em tailandês e ventoinha de teto.

  2. 02

    Mee hokkien e o-tao

    O mee hokkien de Phuket chega como noodle amarelo grosso salteado com caldo, marisco e porco, e não tem nada a ver com o mee hokkien de Singapura nem de Penang apesar de se chamar igual: são três pratos diferentes com o mesmo apelido, e essa confusão conta a história da diáspora hokkien melhor do que um museu.

    O o-tao é a especialidade rara: omeleta de ostras à qual aqui se junta taro ralado, que lhe dá uma textura entre o estaladiço e o borrachudo que não se parece com nada. Faz-se numa chapa grande em fogo bruto e come-se com molho de malagueta.

    Se só provas um prato do centro histórico, que seja este: fora de Phuket, praticamente não existe.

  3. 03

    O centro histórico ao meio-dia

    Para comer vai-se ao quadrado de Thalang, Dibuk, Krabi e Yaowarat, e funciona ao meio-dia porque é quando come o bairro. Os sítios que levam gerações têm dois traços comuns: fazem três coisas e não têm foto dos pratos à porta. O que tem fotos e seis idiomas está pensado para outro.

    À noite o centro histórico muda e aparecem os sítios de jantar com toalha, que também estão bem mas já não são o mesmo. E há uma coisa que surpreende toda a gente: aqui janta-se cedo e às dez está meio fechado.

    Se vens de Kata a pensar jantar tarde, fizeste quarenta minutos de carro para nada.

  4. 04

    Rawai: o marisco onde se descarrega

    No passeio de Rawai há uma lota pequena e, mesmo em frente, uma fila de cozinhas que te preparam por um acréscimo o que acabaste de comprar. Escolhes o peixe ou o marisco a peso, dizes como o queres e senta-te. É o sistema mais transparente da ilha e por isso o melhor em relação ao que comes.

    Funciona melhor ao fim da tarde, quando os barcos voltaram. O que há depende do dia e do mar, que é exatamente como deve ser.

    E atenção ao caranguejo e à lagosta, que se cobram a peso e sobem depressa: o atrativo real de Rawai é o peixe do dia e as gambas, não a foto do bicho grande.

  5. 05

    Roti e massaman: a metade muçulmana

    Phuket tem uma grande população muçulmana, sobretudo nas aldeias piscatórias do norte e do sul, e daí vem a segunda cozinha da ilha. O massaman é o exemplo óbvio: um caril suave com canela, cardamomo, cravinho e amendoim que é persa e indiano de raiz e que chegou ao sul da Tailândia pelo comércio, não pela fronteira.

    O roti é o que se come de pé: massa esticada a golpes sobre a chapa, dobrada e frita, e depois doce com leite condensado e banana, ou salgada a molhar em caril.

    As bancas boas são à noite e reconhecem-se pelo barulho da massa contra o metal. É o lanche da ilha e custa o que custa.

  6. 06

    Nove dias em que a ilha não come carne

    Todos os outonos, durante o nono mês lunar chinês, cai em setembro ou outubro conforme o ano, Phuket celebra o festival dos Nove Deuses Imperadores e a ilha inteira faz dieta vegetariana estrita durante nove dias. As bancas que participam penduram uma bandeira amarela, e são centenas: é o melhor momento do ano para comer aqui se não comes carne, e provavelmente o pior se esperavas moo hong.

    A parte que aparece nas notícias são as procissões, em que alguns participantes atravessam as bochechas. É real, é religioso e não é um espetáculo montado para ninguém. Se vais, vai com respeito e sem flash na cara das pessoas.

    A origem é hokkien, como quase tudo o que torna esta ilha diferente.

Perguntas frequentes

O que se come em Phuket que não se coma no resto da Tailândia?

A cozinha baba ou peranakan, que saiu dos mineiros hokkien que chegaram no século XIX: moo hong (barriga de porco com pimenta), mee hokkien (noodle grosso salteado) e o-tao (omeleta de ostras com taro). Em Banguecoque, praticamente não existem.

Onde se come melhor em Phuket?

No centro histórico de Phuket Town ao meio-dia e nas aldeias de pescadores do sul, como Rawai, ao fim da tarde. A regra da ilha é que quanto mais perto estás da areia, pior comes e mais pagas.

O que é o festival vegetariano de Phuket?

A festa dos Nove Deuses Imperadores, de origem hokkien, celebrada no nono mês lunar chinês (setembro ou outubro). Durante nove dias a ilha inteira come vegetariano estrito e as bancas que participam penduram bandeira amarela.

Mais em Phuket

Phuket num diaUm dia em Phuket não é um dia de praia: é o dia do centro histórico. As casas do estanho de manhã, o Buda grande ao meio-dia e o cabo Promthep quando o sol cai.Ler o guia Um fim de semana em PhuketDois dias dão para um dia de barco e um dia de terra sem mudar de hotel. Se podes escolher, que calhe num domingo: Thalang torna-se pedonal e o centro histórico muda de cara.Ler o guia As praias de Phuket, uma a umaTrinta quilómetros de areia na costa oeste e uma diferença que importa mesmo: a bandeira vermelha. Na monção a corrente de ressaca leva gente todos os anos, e da margem não se vê.Ler o guia Onde ficar em PhuketEscolher praia é escolher viagem. Aqui não se muda de zona a meio: entre uma praia e a seguinte há montanha, e o que decidires no primeiro dia é onde vais jantar todas as noites.Ler o guia Excursões de um dia desde PhuketA ilha é a base, não o destino: o bom está a uma ou duas horas de barco. Phang Nga, Phi Phi, as Similan, que fecham meio ano, e Khao Sok, a única da lista que não é mar.Ler o guia Do aeroporto de Phuket às praiasO aeroporto está no norte e as praias no oeste e no sul: ficam entre 30 e 50 quilómetros. O Smart Bus percorre-as uma a uma, mas não é 24 h.Ler o guia Phuket: conselhos práticosA bandeira vermelha, a mota de aluguer e o balcão de táxis. Três coisas decidem como te corre a semana, e nenhuma aparece no folheto.Ler o guia Como chegar a PhuketDo aeroporto ao centro: metro, comboio, autocarro e táxi.Ver a ficha
OZU+1 sala VIP + 1 eSIM de 10 GB todos os meses, e preços de membro em tudo29,99 € por mêsConhece o Ozu+ →