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Os bairros do Rio
5 h de percurso4 paragensMelhor: A zona sul a qualquer hora. O centro de dia e durante a semanaAtualizado julho de 2026
A palavra favela não significa barraca: é o nome de uma planta. No nordeste do Brasil cresce um arbusto espinhoso chamado faveleira, e há um morro inteiro coberto dele, o Morro da Favela, na Baía. No final do século XIX, uns soldados acamparam nesse morro durante uma guerra, e ao voltarem ao Rio sem receberem o prometido instalaram-se numa colina do centro e chamaram-lhe como aquele sítio. Daí, o nome passou para todos os assentamentos parecidos do país.

Essa origem diz bastante: a primeira favela do Rio foi fundada por veteranos de guerra a quem o estado não pagou. Hoje mais de um milhão de pessoas vivem nas favelas desta cidade, nas encostas dos mesmos morros que fazem o Rio bonito, e com as melhores vistas da cidade. Perceber os bairros daqui é perceber essa geografia: a praia em baixo, o morro em cima, e as duas coisas coladas.
O percurso, paragem a paragem
4 PARAGENS- 01
A zona sul
A faixa entre a montanha e o mar onde está tudo o que vieste ver, e que não é um bloco uniforme: são bairros distintos com carácter próprio. Copacabana é o mais antigo e o mais popular, com edifícios dos anos cinquenta, gente mais velha, muita vida de rua e preços razoáveis. Ipanema é mais caro e mais elegante, com a melhor areia e o melhor ambiente. E Leblon, ao lado, é onde vive o dinheiro do Rio.
Repara no chão de Copacabana: o passeio da marginal tem um desenho de ondas brancas e pretas em calçada portuguesa, colocada à mão peça a peça, que Burle Marx redesenhou nos anos setenta e que é a imagem mais reproduzida da cidade depois do Cristo.
E em Ipanema, procura a rua onde em 1962 dois senhores sentados num bar viram passar uma rapariga a caminho da praia e escreveram uma canção sobre ela. Essa canção tornou-se uma das mais gravadas da história e o bar continua ali, com outro nome. A rapariga existiu e chamava-se Helô.
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Santa Teresa
Um bairro numa colina sobre o centro, com ruas íngremes e calcetadas, casarões coloniais, buganvílias, ateliers de artistas e bares com vistas. É o mais parecido com um centro histórico que o Rio tem e é onde se refugiou a boémia da cidade.
Sobe-se no bonde, o elétrico amarelo, e esse trajeto é metade da razão para ir: sai do centro e atravessa o aqueduto dos Arcos da Lapa, uma obra do século XVIII de quarenta arcos que se construiu para trazer água à cidade e que, quando deixou de ser precisa, se reconverteu em viaduto para o elétrico. Vais num elétrico de madeira por cima de um aqueduto colonial.
Um aviso honesto: houve um acidente grave em 2011 com vários mortos, o serviço esteve anos parado e voltou com medidas de segurança a sério, sem gente pendurada nos estribos como nas fotos antigas. Vale a pena na mesma.
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O centro
Quase nenhum turista põe os pés no centro do Rio, que tem a história inteira do Brasil lá dentro: palácios, igrejas barrocas douradas, um teatro municipal copiado da ópera de Paris e uma biblioteca portuguesa que parece de outro mundo.
E tem um dado que baralha qualquer um: entre 1808 e 1821, a capital do império português esteve aqui. Quando Napoleão invadiu Portugal, a corte inteira (o rei, a família real, os ministros, a nobreza, umas dez ou quinze mil pessoas) fugiu de navio e instalou-se no Rio. Durante treze anos, um império europeu governou-se a partir da América do Sul, e esta cidade foi a capital de Portugal. É a única vez na história que aconteceu algo assim.
Daí vêm os palácios e as instituições que há aqui. O centro anda-se de dia e durante a semana, quando está cheio de gente de escritório. Aos fins de semana esvazia-se e muda bastante.
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As favelas, e a pergunta
Mais de um milhão de pessoas vivem nas favelas do Rio, nas encostas dos morros, com as melhores vistas da cidade e às vezes a duzentos metros de um apartamento de um milhão de euros. Não são acampamentos: são bairros com décadas de história, com comércio, igrejas, escolas de samba, creches e uma economia própria. A Rocinha, a maior, tem dezenas de milhares de habitantes e é maior do que muitas cidades portuguesas.
Organizam-se visitas e o debate ético é real e aqui discute-se abertamente. Há quem diga que transforma a pobreza em zoo e há moradores que dizem o contrário: que quebra o estigma e deixa dinheiro.
Se decidires ir, três condições irrenunciáveis: que o operador seja da comunidade ou que reverta ali de forma verificável, que não se fotografe as pessoas sem autorização, e que não vás por tua conta explorar.
Esta última não é uma questão de sensibilidade: há favelas com presença armada e situações que mudam de um dia para o outro, e aí entra-se com alguém de dentro ou não se entra. Se tiveres dúvidas, não vás. E não confundas: o samba, o funk carioca e metade da cultura desta cidade saíram dali.
Perguntas frequentes
De onde vem a palavra favela?
De uma planta. No nordeste do Brasil cresce um arbusto espinhoso chamado faveleira, e há um morro coberto dele na Baía, o Morro da Favela. No final do século XIX uns soldados acamparam ali durante uma guerra, e ao voltarem ao Rio sem receberem o prometido instalaram-se numa colina do centro e chamaram-lhe o mesmo. Daí o nome passou para todos os assentamentos parecidos do país. A primeira favela foi fundada por veteranos de guerra a quem o estado não pagou.
Onde ficar no Rio?
Em Ipanema ou Leblon se puderes: é o mais agradável, com a melhor areia e bom ambiente. Copacabana é mais popular, mais barato, com muita vida de rua e perfeitamente bem. Santa Teresa é o mais bonito e o mais boémio, mas está numa colina e longe da praia. O centro não é zona para dormir: esvazia-se à noite. Tem em conta que tudo o que queres ver está na zona sul.