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O que ver no Rio

8 h de percurso4 paragensMelhor: Tudo depende do céu. Vê a previsão e reorganiza sem penaAtualizado julho de 2026

EM RESUMO

O Cristo Redentor não foi feito no Brasil. O projeto era de um engenheiro brasileiro, sim, mas o escultor foi o francês Paul Landowski, que modelou a figura no seu atelier de Paris. A cabeça e as mãos fê-las ali e viajaram para o Rio de navio, em peças, para se montarem no alto do morro. O rosto, além disso, modelou-o um escultor romeno. O monumento nacional do Brasil é uma obra francesa com um rosto romeno montada por operários brasileiros.

Inside the Maracanã, empty stands and the lit pitch
© Adam Jones from Kelowna, BC, Canada · CC BY-SA 2.0 · Wikimedia Commons

Isso não lhe tira nada: torna-o mais interessante. E é a tónica das coisas que há para ver no Rio, que quase sempre têm por baixo uma história que contradiz o postal. A floresta está plantada à mão. O samba foi perseguido. O carnaval é uma competição com júri e descidas de divisão. A foto da falésia é um truque. O Rio é uma cidade que se lê muito melhor quando se sabe como se fez cada coisa.

O percurso, paragem a paragem

4 PARAGENS
  1. 01

    O Maracanã

    ⏱ 2 h

    Foi construído para o Mundial de 1950 e feito enorme de propósito, para que coubesse o país inteiro: na final entraram cerca de duzentas mil pessoas, a maior assistência a um jogo de futebol da história, um recorde que não vai ser batido porque já não se constroem estádios assim.

    E essa final é o trauma fundador do futebol brasileiro. O Brasil jogava em casa, bastava-lhe o empate e perdeu contra o Uruguai por dois a um. O estádio ficou em silêncio absoluto: duzentas mil pessoas caladas. Aquilo tem nome próprio, o Maracanazo, e no Brasil fala-se disso como de uma tragédia nacional, não como de um jogo. Um dos jogadores brasileiros disse que só três pessoas calaram o Maracanã, e uma foi ele.

    Hoje o estádio está remodelado e é muito mais pequeno, mas a visita guiada conta isto bem. Se houver jogo, vai: os adeptos cariocas são um espetáculo à parte.

  2. 02

    O sambódromo

    ⏱ 1-2 h

    Uma avenida de setecentos metros com bancadas de betão dos dois lados, desenhada por Niemeyer em 1984 exclusivamente para o carnaval. O resto do ano está ali, vazia, e pode visitar-se. Vale a pena, porque perceber o que acontece aqui desmonta o lugar-comum inteiro.

    O desfile do sambódromo não é uma festa: é uma competição desportiva. As escolas de samba competem numa liga com divisões, com jurados que pontuam dez quesitos (a bateria, a letra, o carro alegórico, a harmonia, a evolução), e há subidas e descidas como no futebol. Cada escola desfila com um enredo próprio que desenvolveu durante um ano, com milhares de pessoas, e tem um tempo marcado: passar-se penaliza. A gente que vês ali anda há doze meses a ensaiar no bairro. Ganhar é um assunto de honra comunitária que se celebra durante meses.

    A festa a sério, a que é grátis e na rua, são os blocos: isso é outra coisa e é o que a maioria dos cariocas faz.

  3. 03

    O museu do outro lado

    ⏱ 3 hDe ferry, a atravessar a baía a partir do centro

    Do outro lado da baía, em Niterói, há um edifício de Oscar Niemeyer que parece um disco voador pousado numa falésia: uma taça branca de quarenta metros de diâmetro sobre um pé estreito, com uma rampa vermelha curva a subir. É o Museu de Arte Contemporânea e é dos edifícios mais fotografados do Brasil.

    Niemeyer disse que o desenhou assim, com janelas corridas em volta, porque o edifício não devia competir com o que está lá fora: o quadro é a vista. E a vista é para o Rio, com o Pão de Açúcar e o Cristo em frente, do outro lado da água. Ou seja, o melhor sítio para olhar para o Rio está noutra cidade.

    O melhor é como se chega lá: de ferry a partir do centro, vinte minutos a atravessar a baía por uns cêntimos, com a cidade inteira a abrir-se atrás de ti. Esse trajeto é transporte público de todos os dias, usam-no milhares de pessoas para ir trabalhar, e é uma das melhores pechinchas do Brasil.

  4. 04

    A foto que é mentira

    ⏱ 3 hA oeste da cidade, em direção às praias selvagens

    Já deves ter visto a foto: alguém pendurado num ressalto de rocha sobre um abismo de centenas de metros, com o mar ao fundo, agarrado com uma mão. É uma das imagens do Brasil mais repetidas na internet. E é um truque.

    Chama-se Pedra do Telégrafo e o ressalto está a pouco mais de um metro do chão. Atrás da rocha há uma plataforma perfeitamente plana onde a gente faz fila. A foto funciona porque quem a tira se deita no chão e enquadra de baixo, de modo que o fundo do mar aparece atrás e o chão desaparece do enquadramento.

    É perspetiva forçada pura, e há uma fila de gente à espera da sua vez para se pendurar numa pedra a um metro de altura.

    Vale a pena ir na mesma, mas por outro motivo: a caminhada até lá é bonita e as praias dessa zona (Grumari, Prainha) são selvagens, com mata a cair no mar e sem edifícios. Essas praias são melhores do que a foto.

Perguntas frequentes

Onde é que se fez o Cristo Redentor?

Em França, em boa parte. O projeto era de um engenheiro brasileiro, mas o escultor foi o francês Paul Landowski, que modelou a figura no seu atelier de Paris. A cabeça e as mãos fizeram-se ali e chegaram ao Rio de navio, em peças, para se montarem lá em cima. O rosto modelou-o um escultor romeno. Está revestido de tesselas de esteatite de Minas Gerais, e as mulheres que as colaram à mão escreveram mensagens no reverso antes de as colocar: continuam ali, sem se poderem ler.

É real a foto da Pedra do Telégrafo?

Não. O ressalto de onde a gente parece pendurar-se sobre um abismo está a pouco mais de um metro do chão, e atrás há uma plataforma plana com fila de gente à espera da sua vez. A foto funciona porque se enquadra deitado de baixo, com o mar ao fundo e o chão fora do enquadramento: perspetiva forçada pura. Vai na mesma, mas pelas praias dessa zona (Grumari, Prainha), que são selvagens e melhores do que a foto.

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