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Comer e beber em Munique

5 paragensAtualizado julho de 2026

EM RESUMO

Há uma lei bávara que diz que num jardim de cerveja tradicional podes trazer a comida de casa e pagar só a bebida. Não é um costume que se tolera: é um direito escrito, e está escrito porque em 1995 o governo regional tentou cortar os horários, vinte e cinco mil pessoas saíram à rua na maior manifestação de Munique em décadas e o governo recuou. Na Baviera, com a cerveja não se brinca.

A beer garden at night under the chestnut trees, string lights above and the communal tables full
© Martin Falbisoner · CC BY-SA 3.0 · Wikimedia Commons

O resto da cozinha daqui entende-se com essa lógica: instituição, horário e regra. A salsicha branca tem hora limite, a cerveja pede-se por litro, a mesa partilha-se e só seis fábricas podem chamar-se muniquenses. Soa rígido e na prática é o contrário: são as regras que fazem com que um desconhecido te faça lugar no banco.

O percurso, paragem a paragem

5 PARAGENS
  1. 01

    A Weisswurst e os sinos do meio-dia

    A regra diz-se assim: a Weisswurst não deve ouvir os sinos do meio-dia. Soa a folclore e é puro frigorífico: faz-se com vitela fresca, sem conservantes e sem cura, elaborava-se de madrugada e antes de haver câmaras não aguentava até à tarde. O costume sobreviveu ao motivo, como sempre acontece.

    Chega numa tigela com a água quente em que foi escaldada (nunca fervida, rebentam) e come-se com mostarda doce, um Brezn e uma cerveja de trigo.

    E não se come a pele: ou se abre com a faca e se tira o recheio, ou se faz o que fazem aqui, que se chama zuzeln e consiste em sorver a salsicha diretamente. Isso já é de mestre, mas ver como o do lado o faz é meio pequeno-almoço.

  2. 02

    O Biergarten, e o direito de trazer a comida

    Num Biergarten tradicional da Baviera podes chegar com a geleira, tirar a tua salada, o teu queijo e o teu pão, sentar-te num banco e pedir só a cerveja. É legal e está numa norma regional.

    Famílias inteiras vêm com o cesto, a toalha e até os rabanetes já cortados em espiral. Ninguém te olha de lado: o estranho serias tu por não o fazer.

    A distinção prática é visual e não falha. As mesas sem toalha, de tampo nu e com banco corrido, são zona de self-service: aí podes tirar a tua comida.

    As mesas com toalha e talheres postos são de empregado, e aí pede-se do menu. Confundi-las é o único erro possível, e resolve-se olhando para a mesa antes de sentar-se.

  3. 03

    As seis fábricas

    A lista fecha em seis: Augustiner, Hacker-Pschorr, Hofbräu, Löwenbräu, Paulaner e Spaten. Têm de ser fabricadas dentro do termo municipal para se chamarem cerveja de Munique, e essa é exatamente a condição para ter tenda no Oktoberfest. Nenhuma outra entra, por famosa que seja.

    A dos daqui é a Augustiner, que é a mais antiga (de 1328, monástica de origem) e a única que continua nas mãos de uma fundação em vez de uma multinacional. Ainda distribui parte em carroças de madeira.

    E o Hofbräuhaus, a fábrica que o duque fundou em 1589, hoje é sobretudo uma atração turística: não é mau, mas se procuras onde bebe Munique, não é ali.

  4. 04

    Obatzda, Brezn e o resto

    O Obatzda, creme cor de laranja, barra-se no Brezn e pede-se em qualquer Biergarten: camembert muito maduro esmagado com manteiga, cebola e muito colorau.

    Inventou-o nos anos vinte uma estalajadeira de um jardim de cerveja que não queria deitar fora o queijo passado, pôs-lhe colorau para disfarçar a cor e saiu-lhe a receita que hoje se vende embalada em toda a Baviera.

    O Brezn come-se no próprio dia, ponto: no seguinte é uma pedra, e aqui sabem-no, por isso compram-se de dois em dois e não de seis em seis.

    E se ficas para jantar, o sério é o Schweinshaxe, o joelho de porco assado com a pele estaladiça e um osso que parece de outro animal. Pede-se para dois mesmo que o menu não o diga, porque para um é um exagero.

  5. 05

    O Viktualienmarkt

    Funciona desde 1807 e continua a ser um mercado que abastece gente que cozinha, embora os preços sejam de centro de Munique. Há bancas que vão na quarta geração e uma densidade de coisas raras (pickles, vinte tipos de rabanete, mel, especiarias) que na Alemanha já quase não existe.

    O Biergarten do centro, sob castanheiros, tem o detalhe que resume a cidade: a cerveja que serve vai rodando entre as seis fábricas ao longo do ano para não fazer o favor a nenhuma. E é self-service, por isso compras a comida nas bancas à volta e levá-la para a mesa.

    Aos domingos fecha, como tudo neste país.

Perguntas frequentes

Pode levar-se comida para um jardim de cerveja em Munique?

Sim, e é um direito consagrado numa norma bávara, não um costume tolerado: podes trazer a comida e pagar só a bebida. Só vale nas mesas de tampo nu, que são de self-service. As que têm toalha e talheres são de empregado e aí pede-se do menu.

Porque se come a Weisswurst antes do meio-dia?

Porque se faz com vitela fresca, sem conservantes nem cura, elaborava-se de madrugada e antes de haver refrigeração não aguentava até à tarde. Daí o dito de que não deve ouvir os sinos do meio-dia. O costume sobreviveu ao motivo. E não se come a pele.

Quais são as cervejas de Munique?

Seis: Augustiner, Hacker-Pschorr, Hofbräu, Löwenbräu, Paulaner e Spaten. Têm de ser fabricadas dentro do termo municipal para se chamarem muniquenses, e só essas seis têm tenda no Oktoberfest. A favorita dos daqui é a Augustiner, a mais antiga, de 1328.

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