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OZU /COREIA DO SUL /SEUL /GUIA

O que ver em Seul

4 paragensAtualizado julho de 2026

EM RESUMO

Quase nada do que vires em Seul é antigo, e convém saber porquê antes de te desiludires. Entre 1950 e 1953 esta cidade mudou de mãos quatro vezes (tomaram-na, recuperaram-na, voltaram a tomá-la e voltaram a recuperá-la) e acabou destruída em cerca de noventa por cento. Antes disso, trinta e cinco anos de ocupação japonesa tinham demolido boa parte do que restava de pé da dinastia Joseon.

The Hyangwonjeong pavilion on its pond, at Gyeongbokgung
© Basile Morin · CC BY-SA 4.0 · Wikimedia Commons

Por isso o que há aqui não é um centro histórico: é uma reconstrução deliberada, feita por um país que decidiu recuperar à mão o que lhe tinham apagado, e que o diz nos painéis sem o disfarçar. Ver Seul é ver isso: não uma cidade velha, mas uma cidade que se está a reescrever a si própria há setenta anos, e que vai nos quarenta por cento.

O percurso, paragem a paragem

4 PARAGENS
  1. 01

    Gyeongbokgung

    O palácio principal da dinastia Joseon, fundado em 1395, e provavelmente o edifício com pior sorte da Ásia. Arrasaram-no na invasão japonesa de 1592 e esteve duzentos e setenta e três anos em ruínas. Reconstruiu-se por inteiro em 1867, com mais de trezentos e trinta edifícios. E na ocupação japonesa, entre 1910 e 1945, demoliram-se quase todos: restaram uns dez.

    O remate foi urbanístico e muito consciente: construiu-se o enorme edifício do Governo-Geral japonês mesmo à frente, entre o palácio e a rua, tapando-o por completo a sul e quebrando o eixo. Esteve ali até 1995, quando o governo coreano o demoliu num acto público transmitido em directo, a começar pela cúpula.

    Desde então reconstrói-se pavilhão a pavilhão, vai nos quarenta por cento e continua. Os painéis dizem o ano de cada reconstrução. É um país a desfazer um apagamento, e fá-lo em público.

  2. 02

    Changdeokgung

    O segundo palácio e o único dos cinco declarado Património da Humanidade, porque é o que conserva mais original e o que melhor mantém o princípio da arquitectura coreana: adaptar-se ao terreno em vez de se impor sobre ele. Perante a simetria rígida de um palácio chinês, este espalha-se a seguir a encosta, sem eixos forçados.

    Isso vê-se melhor do que em lado nenhum no Huwon, o jardim de trás: trinta hectares de floresta em que a única intervenção foi pôr pavilhões e lagos onde já havia clareiras. Não se plantou um jardim, editou-se uma floresta. Era de uso exclusivo do rei e hoje só se entra com guia, com hora e com entrada à parte.

    Reserva: é a melhor coisa de Seul e os lugares esgotam-se, sobretudo em outubro.

  3. 03

    O DDP de Zaha Hadid

    O Dongdaemun Design Plaza, nave de alumínio curvo de Zaha Hadid sem uma única linha recta, terminou-se em 2014 e tornou-se o edifício mais fotografado da Seul moderna. Tem quarenta e cinco mil painéis de alumínio e não há dois iguais: cada um fabricou-se com a sua curvatura, o que só é possível há vinte anos.

    E há uma história muito desta cidade: ao começar a escavar os alicerces apareceram restos da muralha de Seul do século XV, além de um quartel e de uma zona militar. As obras pararam dois anos. A solução foi coreana até à medula: não se mudou o edifício nem se taparam os restos, integraram-se, e hoje há um parque arqueológico ao lado do futuro, com a muralha do século XV e a nave de Hadid a dez metros. Em vez de escolherem, puseram os dois.

  4. 04

    O Museu Nacional

    Um dos museus maiores do mundo por superfície e o sítio onde perceber o que havia aqui antes de o apagarem duas vezes. Cerâmica celadon da dinastia Goryeo, um verde jade que ninguém voltou a reproduzir de todo, ouro de Silla, pintura, e uma colecção que existe porque muito disto se escondeu, se enterrou ou se tirou do país durante a ocupação e a guerra.

    A peça é o Bangasayusang, uma figura de bronze dourado do século VII: um bodisatva sentado, com uma perna cruzada e um dedo a roçar a face, num gesto de pensar. Mede oitenta centímetros, tem mil e quatrocentos anos e hoje está numa sala escura e vazia dedicada só a ela, com dois exemplares.

    É a melhor escultura da Ásia oriental que vais ver e a entrada no museu é gratuita.

Perguntas frequentes

Porque é que não há edifícios antigos em Seul?

Porque a cidade mudou de mãos quatro vezes durante a guerra da Coreia, entre 1950 e 1953, e ficou destruída em cerca de 90 %. E antes, trinta e cinco anos de ocupação japonesa tinham demolido boa parte do que restava da dinastia Joseon. O que vês é reconstrução, e os painéis dizem-no.

Quantos palácios há em Seul e qual é o melhor?

Cinco. Gyeongbokgung é o principal e o maior, embora só se tenha reconstruído 40 %. Changdeokgung é o único Património da Humanidade, conserva mais original e tem o jardim secreto Huwon, que só se vê com visita guiada reservada. Se escolheres um, Changdeokgung.

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