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Tóquio: como não fazer asneira

1 h de percurso5 paragensMelhor: Lê-o antes de voar: são cinco coisas e aprendem-se em cinco minutosAtualizado julho de 2026

EM RESUMO

O Japão tem fama de país cheio de regras invisíveis onde um estrangeiro se atrapalha a cada dois minutos, e essa fama gera mais ansiedade do que merece. A realidade: ninguém espera que saibas nada, toda a gente é simpática com quem tenta, e com cinco coisas ficas à vontade.

The temizuya, the trough for rinsing your hands, at a shrine entrance
© 小石川人晃 · CC BY-SA 4.0 · Wikimedia Commons

São estas as cinco. Não são de etiqueta cerimonial: são as que afetam o teu dia a dia e as que, se não as sabes, te vão fazer passar um mau bocado a sério.

O percurso, paragem a paragem

5 PARAGENS
  1. 01

    Não há caixotes do lixo, e há um motivo

    A primeira coisa que notas: Tóquio brilha de limpa e não aparece um caixote do lixo em lado nenhum. Parece uma contradição e tem uma explicação concreta e bastante sombria: foram retirados em massa depois do atentado com gás sarin no metro de Tóquio em 1995, porque os caixotes eram um sítio ideal para deixar algo. Nunca voltaram.

    A consequência prática é que as pessoas levam o lixo para casa, e tu também vais ter de o fazer. Leva um saquinho na mochila. Onde há: ao lado das máquinas de venda há sempre um contentor para latas e garrafas, e os konbini têm caixotes lá dentro. Embora sejam para o que compras ali, não para esvaziar a mochila.

    E é por isso mesmo que não se come a andar: come-se ao lado do sítio onde compraste e deita-se ali.

  2. 02

    Não se deixa gorjeta. Nunca

    No Japão não se deixa gorjeta em lado nenhum: nem em restaurantes, nem em táxis, nem em hotéis. E não é que seja opcional: é que não se faz, e fazê-lo gera confusão. É bastante provável que um empregado te corra atrás para a rua para te devolver o dinheiro que «te esqueceste». A lógica é que fazer bem o teu trabalho é o esperado e não exige um incentivo extra, o preço da ementa é o preço. É um alívio mental enorme se vens dos Estados Unidos. A única coisa que se parece com um encargo extra é o otōshi das izakaya: um aperitivo que não pediste e que se cobra. Não é uma vigarice, é o couvert.

  3. 03

    A esquerda em Tóquio, a direita em Osaka

    Nas escadas rolantes, as pessoas ficam quietas de um lado em fila e deixam o outro livre para quem tem pressa. Em Tóquio fica-se à esquerda, o lado direito é para ultrapassar. E aqui está o estranho: em Osaka é ao contrário, fica-se à direita. Ninguém sabe explicá-lo bem e a fronteira entre os dois costumes está algures entre as duas cidades.

    É a regra que mais depressa denuncia um estrangeiro e a mais fácil de cumprir: olha para o que faz a fila e põe-te onde os outros se põem.

    O mesmo na plataforma: há marcas no chão, faz-se fila e deixa-se sair antes de entrar. Ninguém empurra. Numa estação com três milhões e meio de pessoas por dia, essa ordem não é uma mania: é a única coisa que a faz funcionar.

  4. 04

    O telemóvel em silêncio e sem falar

    Entra num comboio cheio em Tóquio às oito da manhã e o que mais te vai impressionar não é a quantidade de gente: é o silêncio. Duzentas pessoas numa carruagem e não se ouve nada. O telemóvel vai em silêncio, chamam-lhe «modo público», e não se fala ao telefone dentro do comboio. Há cartazes a pedi-lo e toda a gente cumpre. Pode falar-se baixinho com quem vai contigo, mas o tom geral é muito mais baixo do que o que usarias num comboio espanhol. Não é uma proibição legal, é uma convenção social muito sólida. Põe os auscultadores e baixa a voz: é literalmente a única coisa que te pedem.

  5. 05

    Os sapatos e o onsen

    A regra do sapato anuncia-se sozinha: se ao entrar num sítio há um degrau, uma mudança de piso e uns sapatos alinhados, é aí que te descalças. Acontece em templos, nalguns restaurantes, nos ryokan e em casas particulares. Vão dar-te umas pantufas. E há outras pantufas específicas para a casa de banho, que ficam na casa de banho: sair com elas calçadas é o clássico erro de principiante.

    E se vais a um onsen, banho termal, há duas coisas a saber antes. Uma: entra-se nu, sem exceção, e há zonas separadas por sexos. Duas: é preciso lavar-se a fundo, sentado num banco e com duche, ANTES de entrar na água. A água é para estar, não para se limpar.

    E sobre as tatuagens: muitos onsen tradicionais ainda as proíbem, pela sua associação histórica com o crime organizado. Está a mudar, mas se tens tatuagens visíveis, verifica a política antes de ir.

Perguntas frequentes

Porque não há caixotes do lixo em Tóquio?

Foram retirados em massa após o atentado com gás sarin no metro em 1995, porque eram um sítio ideal para deixar algo, e nunca voltaram. As pessoas levam o lixo para casa. Há contentores junto às máquinas de venda e dentro dos konbini.

Pode entrar-se num onsen com tatuagens?

Depende: muitos onsen tradicionais ainda as proíbem pela sua associação histórica com o crime organizado, embora esteja a mudar e cada vez mais os admitam ou deem autocolantes para as tapar. Se tens tatuagens visíveis, verifica a política antes de ir.

De que lado da escada rolante se fica no Japão?

Em Tóquio, à esquerda, deixando a direita livre para quem ultrapassa. Mas em Osaka é ao contrário, à direita. A forma segura de acertar é olhar para a fila e pôr-te como os outros.

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