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O que ver em Santo Domingo

5 paragensAtualizado julho de 2026

EM RESUMO

A Zona Colonial cabe em dez quarteirões e dentro está a lista inteira de primeiras vezes de um continente: primeira catedral, primeira universidade, primeiro hospital, primeiro mosteiro, primeira fortaleza, primeira rua empedrada. Não é marketing, são datas comprováveis entre 1502 e 1541, quando no resto da América não havia uma única cidade europeia.

Fortaleza Ozama, the oldest military fort in the Americas, above the river
© Mariordo (Mario Roberto Durán Ortiz) · CC BY-SA 4.0 · Wikimedia Commons

O que torna este centro histórico especial não é porém a lista: é que continua a ser um bairro. Há ruínas de quinhentos anos ao ar livre no meio de uma rua por onde a gente vai trabalhar, e colmados com a música alta colados à catedral. Não o esvaziaram de moradores para o mostrar, e por isso é melhor do que quase qualquer centro colonial da América.

O percurso, paragem a paragem

5 PARAGENS
  1. 01

    A Fortaleza Ozama

    Começada em 1502 sobre o rio Ozama para defender a cidade dos piratas, é a construção militar europeia mais antiga do continente e nunca deixou de se usar: foi fortaleza, depois quartel, depois prisão política durante a ditadura de Trujillo e agora é um museu. Cinco séculos sem um ano vazio.

    A Torre da Homenagem, quadrada e maciça, tem muros de dois metros e sobe-se por uma escada de caracol angustiante até um terraço de onde se vê o rio, o porto e o bairro inteiro. Em baixo há celas.

    A combinação, uma fortaleza colonial que nos anos cinquenta ainda encerrava gente por opinar, é o tipo de história que esta cidade não esconde e que faz valer a pena entrar.

  2. 02

    A Catedral Primaz da América

    Começou-se em 1512 e terminou-se em 1541, e é a catedral mais antiga da América. É feita de pedra coralina, coral fossilizado tirado do mar, e por isso tem aquela cor dourada que muda com a luz do dia. A fachada é plateresca e o interior é gótico tardio, sóbrio e fresco.

    Repara em duas coisas que quase ninguém olha. Uma: em 1586 o pirata Francis Drake tomou a cidade, instalou-se nesta catedral e usou-a de quartel durante um mês enquanto negociava o resgate. Levou tudo o que valia alguma coisa. Duas: a caixa de chumbo da discussão sobre os ossos de Colombo apareceu aqui dentro, em 1877, durante umas obras.

    Continua a ser uma igreja em uso, com missa e fiéis, não um monumento.

  3. 03

    As ruínas de San Francisco

    O primeiro mosteiro do continente começou-se em 1508 e teve azar com tudo: derrubou-o um terramoto, saqueou-o Drake, rematou-o outro terramoto e acabou por ser manicómio no século XIX. Hoje são uns arcos e uns muros altos a céu aberto no alto do bairro, sem teto e sem porta.

    E esse esqueleto é hoje o melhor sítio de Santo Domingo, por um motivo que não tem a ver com a pedra: aos domingos à tarde monta-se ali dentro uma banda e toca son até anoitecer.

    Chama-se Bonyé, é grátis e dança o bairro. Que a ruína do primeiro mosteiro da América seja a pista de dança do bairro aos domingos resume esta cidade melhor que qualquer cartaz.

  4. 04

    O Farol de Colombo

    Atravessando o rio há um mausoléu de betão de duzentos metros de comprimento em forma de cruz deitada, inaugurado em 1992 para o quinto centenário, que guarda os restos que esta cidade sustenta serem de Colombo. É imponente e é, de longe, o edifício mais discutido do país.

    As razões: para o construir despejaram milhares de pessoas das suas casas e ergueram um muro à volta para não se ver o bairro pobre ao lado, e custou uma fortuna num país que então tinha apagões diários. E o remate: tem cento e quarenta e sete focos que projetam uma cruz de luz no céu, e consomem tanto que quando a acendem falta a luz nos bairros à volta. Por isso quase nunca a acendem.

    Vai, olha-o e fica com as duas leituras: é um monumento a 1492 e também um monumento ao que custou celebrá-lo.

  5. 05

    O âmbar e o larimar

    Duas pedras que só se explicam nesta ilha. O âmbar dominicano é resina fossilizada de há milhões de anos e é dos poucos do mundo com insetos presos dentro visíveis a olho nu: é exatamente o material de onde saiu a ideia do mosquito do Parque Jurássico, e há peças no Museu do Âmbar do centro histórico.

    O larimar é ainda mais raro: uma variedade azul de pectolite que não existe em nenhum outro lugar do planeta. Extrai-se de uma única mina, na serra de Barahona, a sudoeste do país, e descobriu-se em 1974. É azul-céu com veios brancos e parece água congelada.

    Se vais comprar uma pedra nesta viagem, que seja esta, porque literalmente não a vais encontrar noutro lado.

Perguntas frequentes

O que há que ver na Zona Colonial de Santo Domingo?

A Fortaleza Ozama (1502), o Alcázar de Colón, a Catedral Primaz da América (1541), as ruínas do mosteiro de San Francisco e da primeira universidade do continente, e a Calle Las Damas. Tudo cabe em dez quarteirões e é Património da Humanidade desde 1990.

O que é o Farol de Colombo?

Um mausoléu de betão de 200 m em forma de cruz, de 1992, que guarda os restos que Santo Domingo sustenta serem de Colombo. É o edifício mais discutido do país: para o construir despejaram milhares de pessoas, e os seus 147 focos consomem tanto que ao acendê-los falta a luz nos bairros à volta.

O que é o larimar?

Uma variedade azul de pectolite que não existe em nenhum outro sítio do planeta: extrai-se de uma única mina, na serra de Barahona, e descobriu-se em 1974. É azul-céu com veios brancos. Junto com o âmbar dominicano, o dos insetos presos, é a única coisa que não podes comprar fora desta ilha.

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