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Santo Domingo num dia

8 h de percurso5 paragensMelhor: Domingo, para acabar a ouvir son nas ruínas do mosteiroAtualizado julho de 2026

EM RESUMO

Aqui começou tudo o que veio depois. Santo Domingo é a cidade europeia mais antiga da América que continua habitada, e a lista de primeiras vezes do continente cabe em dez quarteirões: a primeira catedral, a primeira universidade, o primeiro hospital, a primeira fortaleza e a primeira rua empedrada. Percorre-se a pé numa manhã longa.

The Alcázar de Colón, the palace Columbus’s son built for himself in 1511
© Martin Falbisoner · CC BY-SA 4.0 · Wikimedia Commons

E convém dizer a outra metade desde o início, porque é a mesma frase: aqui também começou todo o resto. Esta é a cidade a partir da qual se organizou a conquista do continente, e da população taína que vivia nesta ilha quando chegaram as caravelas não resta praticamente ninguém. O centro histórico é magnífico e é exatamente isso. As duas coisas são verdade ao mesmo tempo e não se cancelam.

O percurso, paragem a paragem

5 PARAGENS
  1. 01

    A Calle Las Damas

    ⏱ 1 h

    Aqui empedrou-se em 1502 a primeira rua do continente, quando no resto da América ninguém sabia ainda o que era uma roda de carro. Vai da fortaleza até ao Alcázar e nos seus duzentos metros está metade do que vieste ver.

    O nome tem uma explicação literal e bonita: chamava-se assim porque as damas da corte de María de Toledo, a vice-rainha, saíam a passear por ela ao entardecer.

    Ao fundo, a Fortaleza Ozama, de 1502: a construção militar europeia mais antiga da América, com a sua Torre da Homenagem quadrada de onde se vê o rio. Foi fortaleza, depois quartel e depois cárcere político durante a ditadura, que é um resumo do país num só edifício.

  2. 02

    O Alcázar de Colón

    ⏱ 1 h

    O palácio de Diego Colombo, filho de Cristóvão e segundo vice-rei, ergueu-se entre 1510 e 1512 e ostenta um detalhe construtivo real: não leva um único prego. Tudo vai encaixado em pedra e madeira. Aqui viveu a primeira corte vice-real do continente e destes salões organizaram-se as expedições que saíram a conquistar todo o resto. Esteve abandonado e meio em ruínas durante séculos até que o restauraram no século XX, e hoje tem dentro móveis e objetos da época, embora quase nenhum seja desta casa. Em frente está a Plaza España, que ao fim da tarde se enche de gente da cidade e não de turistas, com o rio atrás. É o melhor sítio do centro histórico para não fazer nada.

  3. 03

    A catedral, e a briga pelos ossos

    ⏱ 1 h

    A Catedral Primaz da América terminou-se em 1541 e é a mais antiga do continente, com uma fachada de pedra coralina dourada e um interior gótico que surpreende pela sobriedade. Está no Parque Colón, que é o centro exato da cidade velha e onde se sentam os que já não têm de ir trabalhar.

    E aqui está uma das grandes discussões abertas da história: onde estão os ossos de Cristóvão Colombo. Em 1877 apareceu nesta catedral uma caixa de chumbo com uma inscrição que dizia «varão ilustre e distinto Don Cristóbal Colón», e desde então esta cidade sustenta que os tem.

    Sevilha diz o mesmo, e em 2006 uma análise de ADN confirmou que os restos sevilhanos são de um Colombo. Santo Domingo nunca permitiu analisar os seus. É perfeitamente possível que ambas tenham parte, porque os ossos viajaram muito.

  4. 04

    A primeira universidade da América

    ⏱ 30 min

    Em 1538 fundou-se aqui a Universidade Santo Tomás de Aquino, a primeira do continente americano, quase um século antes de Harvard e quando na América do Norte não havia uma única cidade europeia. A sua herdeira, a UASD, continua a funcionar e é hoje a universidade pública do país, com mais de cem mil estudantes.

    Do edifício original resta pouco, mas não é isso que importa: o que importa é a data.

    Em frente estão as ruínas do Hospital San Nicolás de Bari, o primeiro da América, do qual restam uns arcos de pedra em pé ao ar livre no meio de uma rua normal, com as pessoas a passar ao lado a caminho do trabalho. Essa naturalidade com que a cidade convive com quinhentos anos de ruínas é o mais característico de Santo Domingo.

  5. 05

    O Malecón ao entardecer

    ⏱ 2 h

    O Malecón corre catorze quilómetros de avenida em frente ao mar das Caraíbas, sem praia, com a água a quebrar contra o recife da margem e a salpicar a estrada quando há ondulação. Não há nada para ver no sentido de um monumento, e ainda assim é onde há que estar às seis da tarde.

    É a sala de estar de três milhões de pessoas: gente a correr, famílias, dominó em mesas de plástico, alguém com uma coluna, motoconchos, bancas de fritura. No verão monta-se aqui o Carnaval e o festival de merengue. Caminha-se um troço, para-se numa banca, olha-se o mar e percebe-se que Santo Domingo não é um centro colonial com uma cidade à volta, mas uma cidade enorme com um centro colonial dentro.

Perguntas frequentes

O que ver em Santo Domingo num dia?

Toda a Zona Colonial cabe numa manhã longa a pé: a Calle Las Damas, a Fortaleza Ozama, o Alcázar de Colón, a catedral, a primeira da América, e as ruínas da primeira universidade e do primeiro hospital do continente. À tarde, o Malecón.

Onde estão enterrados os restos de Cristóvão Colombo?

É uma discussão aberta. Santo Domingo diz que os tem desde que em 1877 apareceu na sua catedral uma caixa de chumbo com o seu nome. Sevilha diz o mesmo, e em 2006 um ADN confirmou que os seus restos são de um Colombo. Santo Domingo nunca permitiu analisar os seus. Os ossos viajaram muito: é possível que ambas tenham parte.

Qual é a cidade mais antiga da América?

Santo Domingo é a cidade europeia mais antiga da América que continua habitada: fundou-se em 1498 e transferiu-se para a margem oeste em 1502 após um furacão. Nos seus dez quarteirões coloniais estão a primeira catedral, a primeira universidade, o primeiro hospital e a primeira rua empedrada do continente.

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