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O que ver em Dubai
8 h de percurso4 paragensMelhor: O que é de fora, de manhã cedo. O que é de dentro, todo o diaAtualizado julho de 2026
Antes do petróleo, e durante séculos, esta costa vivia de uma só coisa: mergulhar em apneia até ao fundo do Golfo à procura de ostras perlíferas. Era a indústria do lugar, com uma frota de dhows, mergulhadores que desciam com uma mola no nariz e uma pedra atada ao pé, e toda uma economia montada à volta. E desapareceu em poucos anos, nos anos trinta, por um motivo que ninguém no Golfo viu chegar: o Japão conseguiu cultivar pérolas industrialmente. Assim que se puderam fabricar, o preço desabou e aqui acabou tudo.

É isso que está por baixo das torres, e vale a pena sabê-lo porque muda o que estás a ver: Dubai não passou do deserto vazio ao arranha-céus, mas de uma ruína económica brutal, um porto arruinado por uma inovação estrangeira, a reinventar-se duas vezes. O que há que ver aqui são as duas camadas: a dos superlativos, que está bem e não engana ninguém, e a de baixo, que quase ninguém visita e que é a que explica algo.
O percurso, paragem a paragem
4 PARAGENS- 01
O Burj Khalifa
Oitocentos e vinte e oito metros, aberto em 2010, e ainda o edifício mais alto do mundo com uma diferença considerável sobre o segundo. A planta tem forma de Y, o que não é um capricho: essa geometria, com três alas apoiadas num núcleo central, é o que lhe permite resistir ao vento a essa altura sem torcer.
O detalhe construtivo que há que levar é este: para bombear betão a seiscentos metros de altura num sítio onde faz cinquenta graus, tiveram de o fazer de noite e juntar gelo à mistura, porque com o calor do dia endurecia antes de chegar acima.
E um aviso sobre as vistas: do miradouro vês uma cidade plana e um deserto. Não vês o Burj Khalifa, que é o que vieste ver. Por isso muita gente que vive aqui te dirá que a melhor vista da torre é da esplanada de um hotel em frente, com um copo caro na mão. As duas coisas são verdade e não se excluem.
- 02
A Palmeira
Uma ilha artificial em forma de palmeira, com o seu tronco, as suas dezasseis folhas e um quebra-mar à volta, feita entre 2001 e 2007. Vê-se inteira do monocarril que a percorre, e do chão não se percebe a forma de todo, coisa que tem a sua piada: é um desenho pensado para ser visto de um avião ou de um satélite.
O dado que a torna interessante é como está feita: sem betão e sem aço estrutural. É areia dragada do fundo do Golfo e rocha trazida das montanhas do interior, colocada por barcos com GPS e compactada com vibradores para que o material assente e não se liquefaça com um terramoto. Milhões de toneladas de pedra à volta para que o mar não a leve.
É uma obra de engenharia de terra, não de construção, e por isso o verdadeiro debate sobre ela não é estético mas ambiental: mudou as correntes desta costa e afetou os recifes da zona. Isso está documentado e faz parte do sítio tanto como os hotéis.
- 03
O museu do forte
Um forte de coral e adobe de 1787, o edifício mais antigo de Dubai, junto ao Creek. Lá dentro está o museu da cidade, e há que o ver por uma razão concreta: conta a parte que não aparece nos postais, que é a das pérolas.
Veem-se as ferramentas do ofício: a mola de osso para o nariz, os dedais de couro para não se cortarem com as conchas, a pedra que atavam ao pé para descer depressa. Os mergulhadores faziam dezenas de mergulhos por dia, em apneia, durante meses seguidos de época, e muitos acabavam surdos ou cegos. Ganhavam uma miséria e costumavam estar endividados com o capitão do barco para toda a vida.
É uma indústria brutal, e desapareceu em poucos anos quando o Japão inventou a pérola cultivada. Sem essa ruína não se entende o desespero com que este sítio se reinventou depois. O museu conta-o bem e custa praticamente nada.
- 04
As ilhas que não deram
Ao largo da costa, Dubai construiu outro arquipélago artificial: trezentas ilhas dispostas a formar um mapa do mundo, cada uma vendida como um lote privado. A dragagem terminou em 2008. E ali ficou: chegou a crise financeira, o emirado esteve à beira do incumprimento, a promoção parou e a maioria dessas ilhas continuam hoje montes de areia vazios. Fizeram-se algumas coisas nalgumas poucas, o resto leva quinze anos à espera.
Vale a pena sabê-lo porque é a única parte desta cidade que admite um fracasso, e porque matiza tudo o resto. Aqui nem tudo dá: tentou-se também uma série de palmeiras maiores do que a primeira e várias ficaram a meio durante anos.
Dubai funciona apostando forte e muitas vezes ganha, mas o mapa-múndi de areia frente à praia está ali, visível do avião ao aterrar, a lembrar que a crise de 2009 foi real e que a torre mais alta do mundo se chama como o vizinho que pôs o dinheiro.
Perguntas frequentes
O que há de verdadeiramente antigo em Dubai?
O forte de Al Fahidi, de 1787, o edifício mais antigo de pé e hoje o museu da cidade, o bairro de Al Fahidi com as suas torres de vento, que eram ar condicionado sem eletricidade, o Creek e os seus abras, e os souks do ouro e das especiarias em Deira. Antes do petróleo vivia-se aqui de mergulhar por pérolas, e essa indústria desapareceu nos anos trinta quando o Japão inventou a pérola cultivada.
Vale a pena subir ao Burj Khalifa?
Sim, mas reserva pela internet com dias de antecedência: na bilheteira no próprio dia custa bastante mais e as faixas do pôr do sol esgotam-se primeiro. E tem em conta uma coisa: do miradouro vês uma cidade plana e um deserto, mas não vês o Burj Khalifa. A alternativa que meia cidade faz é um copo na esplanada de um hotel em frente, a ver a torre inteira iluminada.