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Um fim de semana em Roma

20 h de percurso4 paragensMelhor: Evita agosto: metade das trattorias de bairro fechamAtualizado julho de 2026

EM RESUMO

O Vaticano é outro país, e essa frase, que soa a pergunta de quiz, é o que ordena o teu fim de semana: é um Estado soberano de menos de meio quilómetro quadrado com os seus próprios selos, a sua própria guarda e as suas próprias filas, e atravessá-lo é uma jornada, não uma paragem. Por isso a repartição faz-se sozinha: um dia desta margem e um dia da outra.

The roofs of Rome with St Peter’s dome at the centre: already in the other country
© Mstyslav Chernov · CC BY-SA 3.0 · Wikimedia Commons

O que convém reservar com antecedência é a Capela Sistina, porque entrar sem hora significa horas de fila ao sol. E o conselho que muda mesmo o fim de semana não é esse: é jantar na segunda noite em Testaccio em vez de no centro. Ali está a comida romana a sério, e ali está a montanha de lixo mais interessante da Europa.

O percurso, paragem a paragem

4 PARAGENS
  1. 01

    Sábado: a Roma antiga

    ⏱ 6 h

    O primeiro dia segue a linha que não atravessa o rio: Coliseu e Fórum de manhã cedo, o Panteão ao meio-dia, Navona e Trevi à tarde. Ao todo cerca de quatro quilómetros a pé que se fazem sem pressa, com a única condição de começar às oito e meia no Coliseu.

    Um apontamento que poupa dinheiro e dissabores: em Roma há cerca de dois mil e quinhentos bebedouros públicos de água potável, os nasoni, aqueles bicos de ferro curvos que pingam sem parar por toda a rua. A água é a mesma que chega ao teu hotel e é boa.

    Tapa com o dedo o buraco de baixo e sai um jato por um buraquinho em cima, para beber sem te baixares. Enche a garrafa e não compres água em lado nenhum do centro.

  2. 02

    Sábado à noite: Testaccio e a montanha de ânforas

    ⏱ 3 hA sul do centro, metro linha B

    Em Testaccio há uma colina de trinta e cinco metros de altura que não é uma colina: é uma lixeira. Durante três séculos, o azeite chegava a Roma em ânforas de barro que não se podiam reutilizar porque o azeite as rançava, por isso partiam-nas com ordem e empilhavam-nas aqui. Estima-se que haja cinquenta e três milhões de ânforas. É a única montanha do mundo feita inteiramente de lixo separado, e está ali há mil e oitocentos anos.

    O bairro à volta era o do matadouro, e daí vem a sua cozinha: o quinto quarto, ou seja, o que os magarefes levavam para casa como parte do salário quando os quatro quartos bons já os tinham levado os senhores.

    Miudezas, numa palavra. Aqui janta-se melhor e por metade do que no centro, e nas trattorias não há carta em seis línguas.

  3. 03

    Domingo: os Museus do Vaticano

    ⏱ 4 h

    O percurso tem sete quilómetros, e quase toda a gente os faz mal: entra a pensar na Capela Sistina e atravessa a marchas forçadas vinte salas que, isoladas, seriam o museu nacional de qualquer país. Só a galeria dos mapas são cento e vinte metros de cartografia do século XVI pintada nas paredes.

    Duas coisas práticas. Reserva hora, porque sem ela a fila dá a volta à muralha. E dentro da Sistina não se pode falar nem tirar fotos, e fazem-no cumprir: um vigilante grita «silenzio» de poucos em poucos minutos, e assim há décadas.

    Levanta o olhar e procura no teto as mãos que não se tocam, mais pequenas do que julgas e no meio de um teto de trezentas figuras. Depois senta-te cinco minutos no banco lateral: é dali que se vê a sério.

  4. 04

    Domingo: São Pedro e a cúpula

    ⏱ 2 h

    Na basílica entra-se de graça e é a maior igreja do mundo, com um truque de escala que é preciso conhecer para o ver: parece mais pequena do que é porque tudo está aumentado em proporção. Os anjinhos que seguram as pias de água benta, que da porta parecem crianças, medem quase dois metros. No chão da nave há marcas com os nomes das outras catedrais do mundo e até onde chegariam.

    Pode-se subir à cúpula, e vale a pena pelo estranho da experiência: os últimos troços vão entre as duas cascas da cúpula e as paredes inclinam-se contigo, por isso acabas a andar torto. Lá em cima está a melhor vista de Roma.

    O código de vestuário aplica-se à porta e não se negoceia: ombros e joelhos cobertos, homens e mulheres. Vem vestido de casa.

Perguntas frequentes

Quantos dias são precisos para ver Roma?

Dois, no mínimo, e por uma razão concreta: o Vaticano é outro país e leva uma jornada inteira entre museus, Capela Sistina e São Pedro. Com dois dias, um é a Roma antiga (Coliseu, Fórum, Panteão) e o outro é o Vaticano.

O que é o Monte Testaccio?

Uma colina de trinta e cinco metros feita inteiramente de ânforas de azeite partidas: cerca de cinquenta e três milhões. O azeite rançava o barro e não se podiam reutilizar, por isso durante três séculos partiram-nas e empilharam-nas aqui com ordem. É a única montanha do mundo feita de lixo separado.

É preciso pagar para entrar na basílica de São Pedro?

Não, a entrada é gratuita. Paga-se só para subir à cúpula. O que há é um código de vestuário verificado à porta: ombros e joelhos cobertos, homens e mulheres. Os Museus do Vaticano e a Capela Sistina pagam-se, e convém reservar hora.

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