Onde ficar em Roma
5 paragensAtualizado julho de 2026
O Tibre parte Roma em duas e isso já é metade da decisão: na margem leste está a Roma antiga, na oeste estão o Vaticano e Trastevere. A outra metade é ditada por uma coisa que não tem arranjo: o centro histórico não tem metro por baixo, porque não se pode escavar sem encontrar ruínas. Aqui anda-se, sempre, e por isso o que conta mesmo no teu hotel é onde fica.

A consequência prática é que em Roma pagar por estar no centro não é um capricho: é comprar horas. Cada quilómetro a mais são vinte minutos a pé sobre a calçada, duas vezes por dia, com calor. E um aviso de calendário: em agosto a cidade esvazia-se de romanos e fecham muitas trattorias de bairro, por isso fica só o que está pensado para o turista.
O percurso, paragem a paragem
5 PARAGENS- 01
Centro storico
O triângulo entre o Panteão, Navona e Campo de' Fiori é onde toda a gente quer dormir, e por uma razão que não é estética: daqui sais do prédio e já estás lá. Numa cidade sem metro no centro, isso são literalmente duas horas por dia que não passas a andar.
É caro, e há que dizer mais duas coisas. O Campo de' Fiori bebe na rua até às três da manhã e não é exagero: se dormes nessa praça, não vais dormir. E os restaurantes destas ruas vivem de quem passa uma vez só, por isso janta-se mal a preço alto.
Dorme aqui, janta noutro bairro: é uma decisão perfeitamente razoável, e muita gente faz assim.
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Trastevere
Do outro lado do rio, Trastevere põe viela, calçada, hera e uma igreja do século XII com mosaicos de ouro na fachada que se acendem ao entardecer. É o bairro mais fotogénico de Roma e também o que mais mudou em vinte anos: de bairro operário a zona de saídas.
O que há que saber é que tem duas metades. A norte, à volta de Santa Maria e da Piazza Trilussa, é a que aparece em todo o lado e a que tem barulho até tarde todos os dias da semana. A sul, passada a Viale Trastevere, continua a ser um bairro com gente a viver. Dorme a sul.
E a Trastevere também não chega o metro: ao Coliseu há meia hora a pé, agradável à ida e menos à volta.
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Monti
Monti cola-se ao Fórum pelo norte e é o mais próximo que Roma tem da solução perfeita: é central a sério, o Coliseu fica a dez minutos a pé, tem metro à porta e continua a ser um bairro com vizinhos, oficinas, bares de sempre e uma praça com fonte onde à noite a gente se senta no chão.
Foi durante séculos a Subura, o bairro mau da Roma imperial, o das tabernas e dos bordéis, onde nasceu Júlio César, coisa que a família tratou de não mencionar muito. Hoje é dos bairros com mais carácter da cidade e dos poucos onde podes jantar bem sem atravessar meia Roma.
Se é a tua primeira vez e não queres pagar o centro histórico, é aqui.
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Testaccio
A sul, o antigo bairro do matadouro: prédios do início do século XX, um mercado coberto que funciona, a melhor comida romana da cidade e nem um souvenir. Tem paragem de metro na linha B, por isso o Coliseu fica a cinco minutos, e aqui os preços são os de Roma e não os do postal.
É a escolha de quem já conhece a cidade, e também de quem vem com orçamento e não quer dormir junto à estação.
Não há nada de monumental para ver a não ser a montanha de ânforas e o cemitério protestante, onde repousam Keats e Shelley sob uns ciprestes, um dos cantos mais tranquilos de Roma. O que há é uma cidade que funciona, a dez minutos daquela que vieste ver.
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Prati e o Vaticano
A norte do Vaticano, Roma construiu Prati no final do século XIX, quando se tornou capital: ruas direitas, passeios largos, prédios senhoriais e nem uma pedra da calçada torta. Parece outra cidade, e é exatamente esse o seu atrativo para uns e o problema para outros.
Vantagens concretas: tem metro, tem as melhores lojas normais de Roma, janta-se bem e a preço de bairro, e estás a dez minutos a pé de São Pedro, o que no dia do Vaticano vale ouro. Desvantagem: não tem nada da Roma que vieste ver, e para chegar ao Coliseu há uma boa meia hora.
É uma boa base se vens com crianças ou se o barulho do centro te incomoda.
Perguntas frequentes
Onde é melhor ficar em Roma?
Monti é o melhor equilíbrio: central, com metro e com vida de bairro. O centro storico poupa-te duas horas de caminhada por dia mas é caro e janta-se mal, Trastevere é o mais bonito, com barulho na metade norte, Testaccio é o de comer, com metro e a metade do preço, Prati, o ordenado, ao lado do Vaticano.
Vale a pena pagar por estar no centro de Roma?
Mais do que noutras cidades, sim, e por uma razão concreta: o centro histórico não tem metro por baixo, porque não se pode escavar sem encontrar ruínas. Aqui anda-se sempre, e cada quilómetro a mais são vinte minutos sobre a calçada, duas vezes por dia. Estar no centro compra horas, não vistas.
É boa ideia dormir no Campo de' Fiori?
A praça, não: há gente a beber na rua até às três da manhã quase todas as noites, e não é exagero. As ruas à volta, essas, funcionam. Em geral, no centro histórico convém dormir e depois jantar noutro bairro, porque estas ruas vivem de quem passa uma vez só.