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OZU /EMIRADOS ÁRABES UNIDOS /ABU DHABI /GUIA

Onde comer em Abu Dhabi

3 h de percurso4 paragensMelhor: À noite. Aqui janta-se tarde e janta-se fora todo o anoAtualizado julho de 2026

EM RESUMO

O limão que dá sabor a meia cozinha do Golfo chama-se loomi e faz-se assim: pegam-se limas, fervem-se em água salgada e deixam-se ao sol até secarem por completo, ficarem pretas e duras como pedras. Assim conservam-se anos. Deitam-se inteiras nos guisados ou moídas, e o que dão não é acidez mas um amargor cítrico e fumado que não se parece a nada e que é o sabor desta parte do mundo.

Onde comer em Abu Dhabi, Abu Dhabi
© Guilhem Vellut · CC BY 2.0 · Wikimedia Commons

Essa técnica conta de onde vem tudo isto: de uma costa sem frigoríficos onde havia que conservar como fosse, e de um comércio marítimo que trazia especiarias da Índia e da Pérsia há séculos. A cozinha emiradense é isso: arroz, borrego ou peixe, especiarias do oceano Índico e limão preto. Aqui, ao contrário da vizinha, é algo mais fácil de encontrar, porque a proporção de emiradenses é maior e há sítios que a fazem a sério.

O percurso, paragem a paragem

4 PARAGENS
  1. 01

    O machboos

    ⏱ 2 h

    O prato central desta cozinha: arroz de grão longo cozido com carne ou peixe, cebola, tomate, uma mistura de especiarias a que aqui chamam bezar (curcuma, cominho, canela, cravinho, pimenta) e o limão preto, que se pica e se deita inteiro. O arroz faz-se no mesmo caldo da carne, por isso sai tingido e com todo o sabor lá dentro.

    E há que reparar na semelhança, porque não é casual: o machboos é primo direito do biryani indiano, do kabsa saudita e do plov persa. Todos são o mesmo invento, adaptado em cada porto. Esta costa leva mil anos a comerciar com a Índia e com a Pérsia, e a cozinha é o registo mais fiel desse tráfego: as especiarias vieram de barco, o arroz também, e aqui cozinharam-se com o que havia, que era borrego, peixe e tâmaras.

    Comer machboos em Abu Dhabi sabendo isso converte um prato de arroz num mapa. Come-se com a mão direita e sem talheres, nos sítios onde se faz bem.

  2. 02

    A tâmara, que não é uma sobremesa

    ⏱ 1 h

    A tâmara não fecha aqui a refeição como um doce: faz de alimento básico e de rito social. Quando entras numa casa ou num escritório vão oferecer-te tâmaras e café árabe, o gahwa, que se serve numa chávena sem asa, se bebe amargo e com cardamomo, e se aceita sempre mesmo que não te apeteça, porque recusá-lo é feio.

    Há um protocolo que convém saber: a chávena segura-se com a mão direita, vão voltar a enchê-la enquanto não fizeres nada, e para indicar que já não queres mais agita-se ligeiramente de um lado para o outro antes de a devolver. Se não o fizeres, continuam a enchê-la.

    E sobre as tâmaras: há dezenas de variedades e não são intercambiáveis, tal como as uvas. A khalas é suave e com sabor a caramelo, a medjool é enorme e carnuda, a sukkari é açucarada. Num país que foi durante séculos um deserto sem água, um fruto que dá calorias, se conserva um ano e cresce na única planta que aguenta isto é o contrário de uma guloseima: é a base da sobrevivência.

  3. 03

    O que come a cidade

    ⏱ 2 hNos bairros do interior da ilha, longe da Corniche

    Como em toda esta região, a maioria da gente que vive em Abu Dhabi nasceu fora, e isso decide o que se come a sério: paquistanês, indiano, filipino, egípcio, libanês, sudanês. Nos bairros do interior da ilha, longe da Corniche e dos hotéis, há locais pequenos onde se janta por uma fracção do que custa qualquer coisa em Saadiyat.

    O libanês merece capítulo à parte porque aqui está espectacular e é o mais fácil de pedir: mesa cheia de pratos pequenos para partilhar, húmus, moutabal, tabule, kibbeh, carne na brasa e pão acabado de fazer que chega inchado. Pede-se tudo ao centro e come-se com pão em vez de com garfo.

    E um conselho transversal: no Golfo, o melhor indicador de que um sítio é bom é que haja fila de gente que vive aqui às dez da noite, não que tenha vistas. As vistas, nesta cidade, pagam-se à parte e pagam-se caras.

  4. 04

    O peixe do Golfo

    ⏱ 2 h

    Antes do petróleo, esta gente vivia do mar: peixe e pérolas. O peixe continua a ser central e há lota na cidade onde se pode comprar e mandar que to cozinhem ali mesmo, que é a melhor maneira de o comer. Faz-se na brasa, inteiro, com especiarias e limão, ou em guisado com arroz.

    E há um assunto que convém saber porque tem substância: o hamour, a garoupa do Golfo, é o peixe preferido daqui e está seriamente sobreexplorado. Os estudos locais avisam há anos que se pesca muito acima do sustentável, e houve campanhas do próprio governo para que as pessoas comam outras espécies. Está em todas as ementas na mesma.

    Se te apetecer fazer algo com essa informação, pede sherry, safi ou kingfish, que estão melhor de população e sabem igualmente bem. É uma das pouquíssimas ocasiões em que uma decisão de ementa significa alguma coisa, e aqui há dados publicados.

Perguntas frequentes

O que se come em Abu Dhabi?

Machboos, o prato central: arroz cozido no caldo da carne com especiarias e limão preto. Loomi, uma lima fervida e seca ao sol até ficar preta e dura. É primo do biryani indiano e do kabsa saudita, e essa semelhança conta mil anos de comércio com a Índia e a Pérsia. Tâmaras e café árabe como rito social. E o que come a cidade: libanês, indiano, paquistanês e filipino nos bairros do interior, longe da Corniche.

Como se bebe o café árabe?

Numa chávena pequena sem asa, amargo e com cardamomo, segurada com a mão direita, e aceita-se sempre que to ofereçam porque recusá-lo é feio. Vão voltar a enchê-la enquanto não fizeres nada: para indicar que já não queres mais, agita-a ligeiramente de um lado para o outro antes de a devolveres. Vem acompanhado de tâmaras, que aqui não são uma sobremesa mas um alimento básico.

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